Defesa de Flávio Bolsonaro alega que banqueiro também financiou filmes de Lula e Temer
Publicado em 14/05/2026 por Rádio Nova FM
O cenário político brasileiro foi sacudido pelo vazamento de áudios em que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), solicita ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a quitação de parcelas de um financiamento milionário. O aporte, estimado em US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), seria destinado à produção de "Dark Horse", filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com estreia prevista para setembro.
Diante da repercussão, parlamentares da oposição saíram em defesa do senador, argumentando que o investimento privado em obras cinematográficas é uma prática comum e que Vorcaro já teria colaborado com figuras do espectro político oposto.
A Estratégia de Defesa: "Quem não deve, não teme"
O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS) minimizou a polêmica, afirmando que o problema dos críticos não é o financiador, mas sim o homenageado da obra.
"Vorcaro já financiou filme do Lula e do Temer. Na iniciativa privada funciona assim: quem investe recebe participação do lucro. O que há de ilegal nisso? Absolutamente nada", declarou Nogueira.
O parlamentar destacou que, na época do acordo (novembro de 2025), não pesavam condenações judiciais contra o banqueiro. Além disso, reforçou que a postura de Flávio Bolsonaro ao pedir a abertura da CPI do Banco Master demonstra transparência. "Diferente da esquerda, ele não foge da investigação", pontuou.
Essa narrativa foi ecoada por outros expoentes da direita, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que também mencionou a suposta participação do Banco Master em produções sobre Lula e Michel Temer.
Versões Conflitantes: O Outro Lado
Apesar das afirmações dos aliados de Bolsonaro, os responsáveis pelas produções citadas negam qualquer recebimento direto de recursos de Daniel Vorcaro.
Lula (PT): O documentário "Lula", dirigido pelo cineasta Oliver Stone e lançado em 2024, teria sido alvo de injeção de recursos do banqueiro, segundo informações de bastidores publicadas pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo. No entanto, a Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal negou veementemente qualquer pedido de financiamento por parte do presidente ou do governo.
Michel Temer (MDB): O filme "963 Dias — A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos", com direção de Bruno Barreto, estreia no próximo mês. O produtor Elsinho Mouco negou o recebimento de dinheiro de Vorcaro para a obra.
O Elo de Temer com o Banco Master
Embora negue investimentos no filme, o ex-presidente Michel Temer confirmou uma relação profissional com a instituição financeira de Vorcaro. Em entrevista à CNN, Temer esclareceu que seu escritório de advocacia recebeu R$ 10 milhões em honorários no ano passado para viabilizar uma transação entre o Banco Master e o BRB.
"Não recebi dinheiro [para o filme], recebi honorários. Sou advogado, saí da vida pública e tinha que sobreviver", justificou o emedebista.
"Dark Horse": O Projeto de 2026
O filme sobre Jair Bolsonaro tornou-se o epicentro de uma disputa narrativa que promete ditar o tom da campanha presidencial de 2026. A revelação de que o financiamento de "Dark Horse" envolve valores astronômicos em moeda estrangeira coloca o Banco Master sob os holofotes de Brasília e acelera as articulações para a instalação de uma CPI que investigue as operações da instituição com a classe política.
| Obra Cinematográfica | Homenageado | Direção | Status de Financiamento (Vorcaro) |
| Dark Horse | Jair Bolsonaro | Não informado | Confirmado por áudios vazados |
| Lula | Luiz Inácio Lula da Silva | Oliver Stone | Negado pela SECOM |
| 963 Dias | Michel Temer | Bruno Barreto | Negado pela produção; Temer admite honorários advocatícios |
