STF REAGE A TROCA NA POLICIA FEDERAL: MENDONÇA DEVE ABRIR PROCEDIMENTO E BLINDAR INQUÉRITO QUE CITA LULINHA
Publicado em 22/05/2026 por Rádio Nova FM
BRASÍLIA — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve abrir nos próximos dias um procedimento oficial para apurar a polêmica troca de comando na Polícia Federal (PF) dentro do inquérito que investiga fraudes no INSS. A investigação ganhou forte teor político por citar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mendonça, que relata o caso no STF, considerou insuficientes as justificativas formais apresentadas pela PF. O ministro manifestou nos bastidores uma crescente preocupação com o risco de interferência política nas apurações e com o fato de a substituição ter sido realizada sem qualquer aviso prévio ao magistrado.
O estopim: Aviso por meio da defesa
O incômodo do ministro atingiu o ápice ao descobrir a dança das cadeiras de forma indireta: Mendonça só soube da saída do delegado Guilherme Figueiredo Silva por meio do advogado de um dos investigados durante uma audiência.
Em busca de respostas, o relator convocou uma reunião de emergência com integrantes da investigação na última sexta-feira (15/05) para conhecer a nova equipe. Mesmo após ouvir as justificativas da corporação, o ministro não se deu por convencido e não enxergou razões técnicas que sustentassem a mudança repentina.
As contra-medidas de Mendonça
Para proteger a integridade das apurações, o ministro desenhou uma estratégia em duas frentes:
Supervisão de perto: O magistrado passará a acompanhar o dia a dia dos trabalhos da PF de forma muito mais estreita do que o habitual.
Compartimentação de dados: Técnica padrão de Mendonça, o compartilhamento de informações será restringido ao máximo. O objetivo é criar uma "bolha de isolamento", garantindo que apenas os investigadores diretamente ligados às diligências tenham acesso aos autos, mitigando o risco de vazamentos e blindando o caso contra pressões externas.
O nó da questão: De quem era o caso e para onde vai?
A cúpula da Polícia Federal decidiu retirar o inquérito da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e transferi-lo para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq).
A justificativa da PF: Em nota oficial, a corporação defendeu que a mudança "foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a Cinq possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o STF".
O histórico da Cinq no caso, contudo, é denso. Foi esta divisão que:
Solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha.
Conduziu as tratativas de delação premiada do empresário Mauricio Camisotti proposta que chegou a ser enviada ao STF, mas precisou retornar à estaca zero para inclusão obrigatória da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A troca na coordenação ocorre também em um momento de forte reclamação por parte dos advogados de Lulinha, que protestavam publicamente contra o vazamento de dados sigilosos do processo.
Faísca no Congresso
A movimentação na PF rapidamente transbordou para o Legislativo. Partidos de oposição ao governo Lula criticaram duramente o afastamento do delegado Guilherme Figueiredo e já se mobilizam para protocolar a convocação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para que ele explique formalmente os critérios da substituição perante o Congresso Nacional.
