Policia Federal aponta lacunas em menção a escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de ministro do STF, em proposta de delação de Vorcaro

Publicado em 05/06/2026 por Rádio Nova FM

Brasil e Mundo

Fonte: Foto da Internet


A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) iniciaram nesta semana a análise das primeiras diretrizes para uma nova proposta de acordo de colaboração premiada com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Os pareceres e os próximos passos das negociações devem ser definidos na vinda semana.

A movimentação ocorre após a rejeição de uma versão preliminar da delação pela PF. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o anexo recusado mencionava a minuta de um contrato de R$ 50 milhões envolvendo uma empresa ligada ao banqueiro e o escritório Barci de Moraes, de propriedade da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Lacunas e os pontos questionados pelos investigadores

O documento em questão teria sido elaborado em agosto de 2025, mas não foi assinado e não gerou transferências financeiras. De acordo com interlocutores de Vorcaro, a minuta serviria como uma garantia de adimplemento para um acordo anterior firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia.

Contudo, os investigadores da Polícia Federal identificaram inconsistências na justificativa apresentada pelo empresário. Entre os principais pontos de interrogação da PF estão:

  • Finalidade: A real necessidade de elaboração de um novo termo contratual.

  • Objeto: A falta de clareza sobre quais serviços seriam efetivamente prestados.

  • Cálculo: Os critérios técnicos utilizados para estipular a cifra de R$ 50 milhões.

Histórico contratual e valores sob escrutínio

Dados compartilhados pela Receita Federal com a CPI do Crime Organizado detalham a relação comercial anterior entre as partes, que vigorou de 2024 até o fim de 2025:

  • Previsão total inicial: R$ 129 milhões (com vigência projetada até 2027).

  • Montante pago: R$ 80,2 milhões repassados ao escritório até novembro de 2025.

  • Saldo remanescente: Cerca de R$ 50 milhões, valor que coincide com o montante da minuta rejeitada pela PF.

O contrato original foi rescindido no final de 2025, período que antecedeu a liquidação do Banco Master e o desencadeamento das operações policiais que miram Daniel Vorcaro por supostas fraudes bilionárias no sistema financeiro.

O que dizem os envolvidos

  • Escritório Barci de Moraes: Em nota, a banca jurídica afirmou categoricamente que não assinou nenhum novo contrato com Daniel Vorcaro ou com empresas do seu grupo econômico. Ressaltou ainda que não prestou serviços adicionais e que jamais recebeu qualquer valor referente ao documento mencionado.

  • Ministro Alexandre de Moraes: O magistrado optou por não se manifestar sobre o caso.