Forças Armadas nas ruas: Congresso boliviano blinda governo Paz em meio a colapso econômico

Publicado em 08/06/2026 por Rádio Nova FM

Brasil e Mundo

Fonte: Foto da Internet


LA PAZ – Em uma sessão exaustiva de 15:00 horas que se estendeu até o domingo (07/06), a Câmara dos Deputados da Bolívia chancelou um projeto de lei crucial para a sobrevivência política do presidente Rodrigo Paz. A nova legislação, que já havia passado pelo Senado, autoriza o uso do exército para romper os bloqueios de estradas promovidos por manifestantes que exigem a renúncia do mandatário.

Com a sanção iminente pelo Poder Executivo, o governo pavimenta o caminho para a decretação de um estado de exceção, uma medida extrema que visa retomar o controle das principais artérias logísticas do país.

"A lei está sancionada e encaminhada ao Poder Executivo para fins constitucionais", declarou o presidente da Câmara, Roberto Castro Salazar, logo após a votação.

O "Escudo Legal" para os Militares

O ponto mais controverso da nova legislação é o respaldo jurídico concedido às forças de segurança. Sob o guarda-chuva do estado de exceção, o texto prevê:

  • Presunção de legalidade: Os militares que atuarem na repressão aos bloqueios terão respaldo jurídico prévio sobre suas ações.

  • Responsabilidade estatal: O Palácio Quemado (sede do governo) assumirá formalmente a responsabilidade política e civil pelo uso da força em áreas de conflito.

Essa blindagem legal é vista por analistas como um movimento tático de Paz para garantir a lealdade e a obediência das Forças Armadas, historicamente reticentes em atuar contra a população civil sem garantias jurídicas explícitas.

Anatomia da Crise: Do Fim dos Subsídios ao Descontentamento Popular

O atual levante popular, que começou em 1º de maio e já resultou na prisão de diversas lideranças opositoras, não é um evento isolado, mas o ápice de uma panela de pressão econômica que Rodrigo Paz herdou desde que assumiu o poder, após vencer Jorge Quiroga nas eleições de outubro de 2025.

Fator de DesgasteImpacto na População
Fim dos SubsídiosAlta imediata nos combustíveis após duas décadas de congelamento de preços.
Escassez de DivisasFalta crônica de dólares no mercado, dificultando importações básicas.
Crise EnergéticaQueda acentuada nas exportações de gás natural, principal motor da economia boliviana.
Medidas de AusteridadeAjustes fiscais e cortes de gastos que corroeram o poder de compra e inflaram o custo de vida.

Enquanto os manifestantes acusam o governo de asfixiar as classes mais baixas com a inflação e o desabastecimento, a gestão de Rodrigo Paz argumenta que os cortes de gastos e o fim dos subsídios eram as únicas saídas possíveis para evitar a falência total do Estado.

Com as estradas bloqueadas e o exército prestes a marchar, a Bolívia entra em uma semana decisiva, onde o limite entre a imposição da ordem e o agravamento da violência civil se torna cada vez mais tênue.