Congresso em Alerta: Ofensiva dos EUA com classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas

Publicado em 09/06/2026 por Rádio Nova FM

Brasil e Mundo

Fonte: Foto da Internet


O Congresso Nacional inicia esta semana uma intensa rodada de debates para conter e avaliar os danos de duas medidas contundentes adotadas recentemente pelos Estados Unidos contra o Brasil. A primeira delas é a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas; a segunda é a escalada de tarifas comerciais que ameaça sufocar exportações brasileiras.

Uma comissão mista de deputados e senadores lidera a contraofensiva e planeja ouvir ministros de Estado, chefes de inteligência e até a cúpula da diplomacia americana em Brasília.

Inteligência e Soberania: O Impacto do Selo de "Terrorismo"

Nesta quarta-feira (10), a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) se reúne para mensurar os impactos políticos, econômicos e diplomáticos da decisão de Washington. O anúncio partiu do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sob a chancela do governo de Donald Trump, enquadrando as facções brasileiras como "Terroristas Globais Especialmente Designados" e "Organizações Terroristas Estrangeiras".

O argumento da Casa Branca é que o PCC e o CV figuram entre os grupos mais violentos da América Latina e ameaçam os interesses de segurança dos EUA.

O que muda na prática com a classificação de terrorismo?

  • Asfixia Financeira: Congelamento imediato de ativos e bloqueio de transações bancárias de líderes de cartéis e empresas associadas.

  • Rigores Criminais: Indiciamento e penas severas de regime fechado para qualquer pessoa ou entidade que forneça "apoio material" a esses grupos.

  • Restrições de Fronteira: Cancelamento imediato de vistos, recusa de entrada nos EUA e deportação sumária de suspeitos de envolvimento com as facções.

Apesar de o discurso oficial da Embaixada americana focar na "proteção das comunidades e apoio ao Estado de Direito", parlamentares brasileiros acenderam o sinal de alerta. Há um receio generalizado de que a medida comprometa a soberania nacional e afete negativamente a economia do país, espantando investimentos, prejudicando o turismo e abalando o comércio exterior.

Para a sabatina desta quarta-feira, o presidente da comissão, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), convocou um forte escalão técnico e político:

  • Dario Durigan (Ministro da Fazenda)

  • Wellington César Lima e Silva (Ministro da Justiça e Segurança Pública)

  • José Mucio (Ministro da Defesa)

  • Natasha Franceschi (Nova encarregada de negócios da Embaixada dos EUA)

  • Representantes da Polícia Federal (PF), da Abin e do Coaf.

A Linha de Frente do "Tarifaço": Prejuízo Pode Chegar a 37,5%

Paralelamente à crise de segurança, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado corre contra o tempo para conter o estrago econômico de novas investigações comerciais americanas. O total das sobretaxas aplicadas ou sugeridas pelos EUA aos produtos brasileiros pode atingir o patamar alarmante de 37,5%.

O desenho do protecionismo americano contra o Brasil divide-se em duas frentes punitivas:

Base Legal / ÓrgãoAlíquotaJustificativa dos EUASetores/Alvos Afetados
Seção 301 (Legislação Comercial)25% (Já imposta)"Práticas desleais" de mercado por parte do Brasil.Pix, tarifas preferenciais, propriedade intelectual e mercado de etanol.
USTR (Escritório de Comércio dos EUA)12,5% (Proposta)Supostas falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado.O Brasil entrou em uma lista de 60 economias sob essa alegação.

O senador Nelsinho Trad, que também preside a CRE, iniciou conversas diretas com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o Itamaraty. Ele também está ouvindo os setores produtivos afetados para calibrar a resposta brasileira.

Diante do cenário de forte fricção diplomática e comercial, o Congresso não descarta enviar uma missão oficial aos Estados Unidos nas próximas semanas. A estratégia repete a cartilha adotada em meados de 2025, quando parlamentares brasileiros viajaram a Washington para negociar a redução e o adiamento de uma tarifa linear anterior de 50% imposta pelo governo Trump.