Justiça Eleitoral suspende pesquisa após indícios de indução de votos que prejudicavam Flávio Bolsonaro
Publicado em 09/06/2026 por Rádio Nova FM
O ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão imediata de qualquer nova divulgação, impulsionamento ou manutenção de uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel para a Presidência da República. A decisão atende a um pedido liminar do Partido Liberal (PL), que argumentou que o levantamento utilizava técnicas que poderiam manipular a opinião dos eleitores.
A pesquisa em questão apontava uma suposta queda do senador Flávio Bolsonaro. No entanto, a Justiça Eleitoral entendeu que a metodologia aplicada comprometeu a neutralidade que se exige desse tipo de levantamento.
Perguntas tendenciosas e "indução na hora errada"
De acordo com a representação aceita pelo ministro, o questionário da AtlasIntel continha perguntas sobre o senador Flávio Bolsonaro e o Banco Master formuladas de maneira a induzir respostas negativas.
O principal problema apontado foi a sequência e a estrutura das perguntas:
Estímulos narrativos: O questionário utilizava expressões pesadas, como "esquema de fraudes financeiras", antes de o eleitor responder sobre suas intenções de voto.
Contaminação de dados: A Justiça avaliou que o uso dessas expressões e de componentes audiovisuais (vídeos/áudios) criava um ambiente psicológico propício para mudar a opinião do eleitor no momento da entrevista, gerando um resultado artificial sobre a rejeição e a imagem do pré-candidato.
Em sua decisão, Nunes Marques destacou:
"Tais circunstâncias corroboram os argumentos (...) acerca da possível utilização de estímulos indutivos aptos a contaminar as respostas subsequentes relativas à imagem, rejeição e intenção de voto."
Desvio de padrão e declarações do CEO
Outro ponto que pesou contra o instituto foi o fato de que, entre outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE, nenhuma outra continha perguntas parecidas ou o uso de peças audiovisuais nos moldes da que foi impugnada.
Além disso, declarações do próprio CEO da empresa à CNN Brasil, onde ele admitia o potencial impacto eleitoral das perguntas sobre o caso do Banco Master, reforçaram a visão da Justiça de que o levantamento não foi estritamente estatístico.
O que diz a defesa do instituto?
A AtlasIntel defendeu-se alegando que possui autonomia metodológica e que cumpre as resoluções do TSE. O instituto afirmou que as perguntas apenas mediam a percepção do público sobre fatos que já eram do conhecimento geral e que os recursos audiovisuais só eram exibidos após as perguntas de intenção de voto. Os argumentos, contudo, não foram suficientes para barrar a liminar.
Pesquisas devem ser justas e espontâneas
A decisão da Justiça Eleitoral reforça o entendimento de que as pesquisas eleitorais devem ser um reflexo fiel, justo e equilibrado do cenário político, sem beneficiar ou prejudicar nenhum candidato.
Para garantir que o eleitor responda de forma totalmente espontânea e sem influências externas provocadas pelo próprio entrevistador, a AtlasIntel terá o prazo de dois dias para apresentar toda a documentação técnica complementar e os registros de aplicação do questionário sob pena de novas sanções.
