Bastidores de Brasília: Rejeição da PF trava delação bombástica que mira Alcolumbre e PT da Bahia

Publicado em 15/06/2026 por Rádio Nova FM

Brasil e Mundo

Fonte: Foto da Internet


Uma nova proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, azedou o clima nos bastidores políticos da capital federal. O conteúdo do acordo, revelado inicialmente pela revista Veja, traz acusações de altíssima voltagem: o pagamento de uma propina milionária ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e detalhes sobre negócios envolvendo o Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia.

O avanço do caso, no entanto, sofreu um forte revés. A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitou formalmente o acordo. Segundo os investigadores, os relatos de Vorcaro não trouxeram fatos novos que já não fossem de conhecimento das autoridades, além de falharem em apontar crimes cometidos por seus parceiros de negócios.

As Acusações: Contas no exterior e consignados estaduais

Apesar da trava imposta pela PF, os detalhes que Vorcaro pretendia entregar aos investigadores mostram o tamanho do potencial estrago:

  • O suposto repasse a Alcolumbre: O ex-banqueiro revelou ter pago US$ 30 milhões (cerca de R$ 155 milhões na cotação atual) ao presidente do Senado. O dinheiro teria sido depositado em uma conta secreta no exterior pelo ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima. Em troca, Alcolumbre teria atuado politicamente para defender interesses do Banco Master em Brasília.

  • A conexão com o PT baiano: A proposta de delação também cita o ex-governador da Bahia e atual ministro, Rui Costa. Embora Vorcaro não tenha mencionado pagamento direto de propina neste caso, ele prometeu detalhar o funcionamento do CredCesta — um sistema de empréstimo consignado atrelado à folha de pagamento dos servidores públicos do estado da Bahia.

Reações e a tese de "blindagem política"

O presidente do Senado reagiu de forma contundente. Por meio de nota emitida pela assessoria da presidência da Casa, Davi Alcolumbre classificou as denúncias como "absolutamente falsas" e garantiu que jamais recebeu qualquer valor no Brasil ou no exterior. O senador afirmou que processará Vorcaro nas esferas cível e criminal por danos à sua honra e trajetória política.

Por outro lado, a defesa de Daniel Vorcaro vê contornos políticos na decisão das autoridades de barrar o acordo. Interlocutores dos advogados fizeram chegar ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, a insatisfação com a postura da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Para a defesa, houve falta de interesse real em investigar denúncias graves, citando o caso de Alcolumbre como algo que teria sido descartado de forma apressada.

O que acontece agora? Embora a PF tenha rejeitado a delação, a palavra final ainda não foi dada. O material segue sob análise minuciosa da PGR. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, orientou sua equipe a avaliar os documentos com cautela e, até o momento, não há um prazo definido para que o Ministério Público Federal decida se endossa a rejeição da PF ou se reaproveita os dados em uma nova linha de investigação.