Operação Sem Desconto: PF conclui primeiro relatório de desvios bilionários no INSS
Publicado em 15/07/2026 por Rádio Nova FM
PF indicia ex-presidente do INSS e mais 47 pessoas por corrupção em desvios de aposentadorias
A Polícia Federal (PF) concluiu o primeiro relatório final no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos diretamente nas aposentadorias de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas por crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Iniciada em abril do ano passado, a investigação estima que as fraudes e desvios contra os aposentados tenham alcançado a cifra de R$ 6 bilhões.
Cúpula do INSS no Centro do Esquema de Propinas
De acordo com o relatório da PF, a cúpula da autarquia agia deliberadamente para facilitar a atuação de associações que realizavam os descontos ilegais nas contas dos aposentados. Entre os principais nomes indiciados e apontados como operadores do esquema estão:
Alessandro Antônio Stefanutto: Ex-presidente do INSS.
Virgílio Antônio Ribeiro Filho: Ex-procurador-geral da autarquia.
André Fidelis: Ex-diretor de benefícios.
Euclydes Marcos Pettersen Neto: Deputado federal.
Um ex-ministro de Estado (também citado e indiciado no relatório).
A PF aponta que Stefanutto, valendo-se dos cargos de procurador e, posteriormente, de presidente do INSS, omitiu-se propositalmente do dever de fiscalizar as entidades associativas.
“Em troca de sua omissão fiscalizatória deliberada recebeu propinas mensais recorrentes que alcançaram o patamar de R$ 250.000,00 mensais”, aponta um trecho do relatório policial.
O dinheiro da propina destinado a Stefanutto era lavado por meio de repasses a empresas de fachada, incluindo uma pizzaria. Ele, Virgílio e Fidelis estão presos preventivamente desde o final do ano passado sob a acusação de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O Papel da Conafer e as Planilhas de Propina
A primeira fase concluída do relatório foca especificamente nos desvios associados à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A PF caracterizou a entidade como uma verdadeira organização criminosa, estruturada com divisão hierárquica clara e diversos núcleos de atuação.
O presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi indiciado por corrupção e organização criminosa. Durante as investigações, a PF apreendeu planilhas de pagamento de propina da Conafer e, após cruzamento de dados, confirmou que as transferências bancárias efetuadas batiam exatamente com os registros físicos do caixa ilegal.
Divisão de Valores Identificados pela Investigação:
| Nome do Indiciado | Cargo / Relação | Valores de Propina Identificados |
| Virgílio Antônio Ribeiro Filho | Ex-procurador-geral do INSS | Pelo menos R$ 6,5 milhões |
| André Fidelis | Ex-diretor de benefícios do INSS | Pelo menos R$ 3,4 milhões |
| Alessandro Antônio Stefanutto | Ex-presidente do INSS | R$ 250 mil mensais recorrentes |
Próximos Passos e Outras Linhas de Investigação
O relatório final foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Agora, cabe ao ministro remeter os autos à Procuradoria-Geral da República (PGR), que analisará as provas colhidas pela Polícia Federal para decidir se apresenta ou não denúncia formal contra os 48 indiciados.
A PF esclarece que esta etapa concluída não encerra as investigações. O foco atual foi a Conafer, mas os policiais continuarão a apurar fraudes ligadas a outras associações e novos suspeitos.
Sem Relação com Inquérito de "Lulinha"
A Polícia Federal fez questão de destacar que este relatório não possui relação com as investigações que envolvem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apuração que corre em outro inquérito para verificar se "Lulinha" era sócio oculto do empresário Antônio Camilo Antunes (conhecido como "Careca do INSS") ainda está em andamento e não foi concluída.
O Outro Lado
Procurada pela reportagem, a defesa de Alessandro Antônio Stefanutto declarou que ainda não teve acesso ao teor do relatório de indiciamento. As defesas de Virgílio Antônio Ribeiro Filho, André Fidelis, Carlos Roberto Ferreira Lopes e dos demais citados no documento ainda não se manifestaram sobre o indiciamento.
