Marguerita com Sabor de Propina? Como uma Pizzaria de SC Entrou na Mira da PF no Caso INSS

Publicado em 16/07/2026 por Rádio Nova FM

Brasil e Mundo

Fonte: Foto Agência Brasil

Fora do cardápio tradicional, o que chamou a atenção da Polícia Federal em uma pizzaria de Tubarão, no sul de Santa Catarina, não foi a qualidade da massa, mas sim o trânsito de cifras atípicas. O pacato estabelecimento comercial tornou-se o centro de uma grave linha de investigação: a suspeita de ter sido utilizado como fachada para lavar R$ 900 mil destinados ao ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto.

O caso é um dos desdobramentos mais rumorosos da Operação Sem Desconto, uma ofensiva que mira a chamada "Máfia do INSS".

O "Ingrediente" Secreto: A Rota dos R$ 900 Mil

De acordo com o relatório de indiciamento da Polícia Federal, o esquema de ocultação de recursos funcionou em um curto espaço de tempo, demonstrando a pressa e a intensidade da engrenagem financeira:

  • Janela de Atuação: Os repasses sob suspeita teriam ocorrido concentrados entre junho e agosto de 2024.

  • O Mecanismo: A PF aponta que a estrutura financeira da pizzaria catarinense foi utilizada para "pulverizar" e dissimular a origem ilícita do dinheiro antes que ele chegasse ao topo da cadeia.

  • O Beneficiário: O relatório aponta Alessandro Stefanutto, ex-presidente do instituto, como o destinatário final dos valores.

A Engrenagem por Trás da "Operação Sem Desconto"

A investigação comandada pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que a suposta propina da pizzaria é apenas a ponta do iceberg de um esquema bilionário que lesava quem menos podia pagar.

Como funcionava a fraude?

Associações de fachada e entidades conveniadas realizavam descontos mensais não autorizados diretamente nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas de todo o país. O volume de pequenas quantias subtraídas de milhões de beneficiários gerou uma movimentação de bilhões de reais.

O dinheiro obtido de forma abusiva servia, segundo as investigações, para alimentar o caixa de uma organização criminosa e garantir o silêncio ou a facilitação de agentes públicos.

O Outro Lado: O que diz a Defesa

Em resposta às graves conclusões do relatório de indiciamento da Polícia Federal, a defesa de Alessandro Stefanutto nega categoricamente as acusações.

Os advogados afirmam que o ex-presidente do INSS jamais cometeu qualquer irregularidade, pontuando que ele nunca utilizou o caixa de nenhuma pizzaria ou estabelecimento comercial para ocultar, dissimular ou receber valores de origem ilícita.

O Saldo da Investigação até o Momento

A ofensiva conjunta entre PF e CGU contra a Máfia do INSS já apresenta números expressivos de responsabilização:

CategoriaDados da Operação
Total de Indiciados48 pessoas
Principais Crimes ImputadosOrganização criminosa, corrupção ativa/passiva e lavagem de dinheiro
Instituições EnvolvidasPolícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU)
Volume de Recursos Sob SuspeitaBilhões de reais (escala global do esquema de descontos)