Tragédia nas Hidrelétricas do Nepal: Resgatistas Enfrentam Lama e Falta de Oxigênio na Busca por Mais de 900 Desaparecidos
Publicado em 31/08/2026 por Rádio Nova FM
KATMANDU As operações de emergência para localizar centenas de trabalhadores presos nos complexos hidrelétricos do norte do Nepal ganharam contornos dramáticos nesta segunda-feira (31/08). Após as graves inundações da última semana, equipes de resgate travam uma corrida contra o tempo em meio a quilômetros de galerias subterrâneas tomadas por sedimentos e entulhos.
Ao todo, a Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal (IPPAN) contabiliza cerca de 900 trabalhadores cujo paradeiro permanece desconhecido em 11 empreendimentos afetados. No panorama geral do país, cerca de 27 usinas sofreram estragos das quais 12 foram praticamente devastadas, deixando um rastro de buscas urgentes por 933 pessoas no total.
Varredura com Drone no Projeto Rasuwagadhi
Em uma das frentes mais críticas, na usina de Rasuwagadhi, próxima ao rio Bhote Koshi, uma equipe de engenheiros sob o comando do Exército do Nepal conseguiu acessar o ponto mais profundo das galerias subterrâneas. Utilizando drones para mapear o interior da estrutura inundada, os militares confirmaram não ter encontrado qualquer sinal de vida ou presença humana no local.
O Desafio Extremo de Trishuli 3A e Chilime
Em outros pontos da região atingida, o resgate enfrenta barreiras físicas complexas:
Trishuli 3A (42 desaparecidos): Equipes técnicas trabalham na abertura de um canal de perfuração para acessar a casa de força subterrânea, localizada a mais de quatro quilômetros da entrada. Segundo o geólogo australiano Arnold Dix, consultor da operação, ainda não se sabe a extensão exata da lama acumulada. "Talvez tenhamos que escavar 10 metros, ou talvez 100 metros", alertou Dix, apontando ainda o risco de eventuais bolsas de água retidas serem liberadas durante a perfuração, o que colocaria em perigo os próprios socorristas.
Chilime (6 desaparecidos): Na usina de Chilime, os trabalhos de busca precisaram ser paralisados após a equipe avançar apenas 130 metros em um túnel de 250 metros. Segundo o guia de montanha Jenjen Lama, que atua nas operações, a galeria foi completamente bloqueada por sedimentos que atingiam a altura do peito dos resgatistas, enquanto danos na infraestrutura externa continuam dificultando o pouso de helicópteros de apoio.
Esperança e Riscos Subterrâneos
Especialistas explicam que algumas das usinas possuem salas de apoio e suprimentos internos que, teoricamente, permitiriam a sobrevivência dos trabalhadores por semanas. No entanto, a incerteza quanto ao fornecimento de oxigênio e o risco de inundação da sala de turbinas caso os sistemas de desligamento automático tenham falhado mantêm as equipes de socorro em alerta máximo.
