Investigação no STF: Banqueiro mira cúpula do governo federal e expõe travamento em delação
Publicado em 03/09/2026 por Rádio Nova FM
Em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF), o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, indicou que os desdobramentos de uma eventual colaboração premiada podem atingir diretamente figuras do alto escalão do Governo Federal. A oitiva revelou bastidores de negociações travadas e um clima de desconfiança envolvendo órgãos de investigação.
As revelações apontam para um cenário em que alianças teriam sido firmadas em meio a disputas e alegações de abusos operacionais.
O foco da colaboração: 'Núcleo do Governo'
Questionado pelo Ministério Público sobre o teor das informações que pretende entregar às autoridades, o empresário foi direto ao delimitar o alcance de seus relatos. Segundo Vorcaro, as alianças com agentes públicos surgiram como mecanismo de defesa.
"Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo."
Daniel Vorcaro, em depoimento ao STF
O banqueiro sustentou que pretendia reportar episódios específicos em que restrições éticas e jurídicas teriam sido ignoradas. "Nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar", completou. No trecho divulgado, nomes específicos de integrantes do governo e detalhes dos episódios não foram formalizados.
Impasses com a Polícia Federal e recepção na PGR
A oitiva também expôs um desentendimento estratégico entre os órgãos de investigação. Vorcaro alegou que tenta apresentar sua versão dos fatos há meses, encontrando barreiras para formalizar o acordo com a Polícia Federal.
Críticas à conduta da PF: O empresário relatou que a equipe de defesa teve pedidos de reunião ignorados pela PF ou restritos a encontros meramente formais.
Abertura na Procuradoria: Em contrapartida, Vorcaro destacou que encontrou maior receptividade por parte dos integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) para a apresentação do material.
Citação ao diretor-geral da Polícia Federal
Entre as justificativas apresentadas para o receio em avançar com as denúncias, o banqueiro mencionou nominalmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Vorcaro indicou a existência de uma relação prévia do chefe da corporação com a instituição financeira.
"O advogado pontuou aqui, e eu vou dar um exemplo de situações que aconteceram, como, por exemplo, o próprio diretor-geral [da Polícia Federal], o Andrei, que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso, especificamente."
Daniel Vorcaro
Admissão de erros e acervo probatório
Apesar de reconhecer falhas em suas condutas admitindo abertamente: "Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei", o controlador do Banco Master contestou a narrativa pública consolidada sobre o caso até o momento. Vorcaro afirmou possuir provas documentais e informou que o contexto em que depôs e o temor por sua segurança o impediram de detalhar todo o acervo durante aquela audiência.
