Perícia Revela Novas Evidências de Proximidade Entre Banqueiro e Ministro do STF
Publicado em 06/11/2026 por Rádio Nova FM
Registros recuperados do celular de Daniel Vorcaro indicam 316 interações com Alexandre de Moraes, incluindo troca de mensagens e agendamento de encontros antes de prisão
Uma nova perícia jornalística baseada em vestígios digitais recuperados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro (ex-dono do Banco Master) aponta que a proximidade entre ele e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, vai além do que se conhecia publicamente.
Análises realizadas a partir do aparelho apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025 revelaram 316 interações entre os dois nos dois meses que antecederam a prisão do empresário incluindo registros de chamadas, mídias de visualização única, avisos de sistema e mensagens de texto recuperadas de arquivos secundários do próprio aplicativo.
O Caminho dos Dados Apagados
Embora o recurso de mensagens temporárias de 24 horas tenha sido ativado no dispositivo e a conversa principal tenha sido limpa pelo banqueiro em setembro de 2025, rastros técnicos permaneceram gravados no ecossistema do aplicativo e do aparelho:
Garimpo em Bancos Secundários: A investigação jornalística utilizou métodos análogos aos empregados em perícias criminais, extraindo fragmentos de texto do banco de dados ChatSearchV5f (usado para indexação de buscas internas no app) e do repositório de "tokens de denúncia".
Frequência de Contatos: Registros de sistema do próprio sistema operacional do iPhone identificaram 187 envios de mensagens de Vorcaro direcionados ao ministro entre 17 de setembro e 17 de novembro de 2025. Os outros 129 registros englobam respostas do magistrado e notificações do aplicativo.
Diálogos Inéditos e Agendamento de Encontro
Além das 52 capturas de tela do bloco de notas enviadas por Vorcaro — já mapeadas pela PF em relatórios anteriores —, foram resgatados 17 fragmentos inéditos que indicam um tom informal e a combinação de encontros presenciais.
Entre os trechos recompostos a partir da ordem dos dados armazenados no app estão:
24/10/2025 - Moraes: "Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs" (legenda de imagem)
12/11/2025 - Moraes: "Não basta ser pai, tem de participar rsrs"
12/11/2025 - Vorcaro: "Você é paizão" / "Manda abraço pra todos"
14/11/2025 - Moraes: "Me avise quando pousar"
14/11/2025 - Vorcaro: "Agora pousei"
14/11/2025 - Moraes: "A caminho então"
A troca de mensagens de 14 de novembro ocorreu três dias antes da prisão do ex-banqueiro. Naquela data, Vorcaro viajou em seu jato particular de São Paulo para Brasília, deslocando-se em seguida para sua residência no Lago Sul.
Tentativa de Interferência e Relação Comercial
Os dados periciados reforçam os indícios de que o empresário buscava apoio no Supremo para conter investidas de órgãos de fiscalização e controle. Em imagens do bloco de notas enviadas como mídias autodestrutivas, Vorcaro pedia intervenções junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à direção da PF para evitar o colapso de sua instituição financeira, indagando inclusive sobre a iminência de operações policiais.
A relação institucional entre ambos iniciou-se em dezembro de 2023, quando a firma de advocacia dirigida pela esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes — onde também atuam os dois filhos do casal —, foi contratada pelo empresário pelo valor aproximado de R$ 130 milhões.
Manifestações das Partes
Procurados para comentar os novos achados digitais, nem o ministro Alexandre de Moraes nem os advogados de Daniel Vorcaro emitiram manifestação imediata.
Em posicionamentos anteriores protocolados no STF e veiculados à imprensa, o ministro rebatia veementemente o relatório policial, classificando-o como uma narrativa sem sustentação:
Questionamento de Autoria e Formato: Moraes argumenta a inexistência de conversação direta no formato tradicional de texto no WhatsApp e afirma que não há registros confirmando que ele seria o interlocutor dos prints do bloco de notas.
Cadeia de Custódia e Motivação: A defesa do magistrado e os advogados do empresário questionam a integridade da preservação das provas contidas no aparelho. Moraes atribui a produção do relatório a uma tentativa de "vingança" política de setores investigados nos inquéritos sobre os atos contra o Estado de Direito.
