A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã entrou no terceiro dia nesta segunda-feira, (02/03), com novos bombardeios, ataques com drones e a ampliação do conflito para diferentes frentes no Oriente Médio e até reflexos na Europa. Enquanto cidades iranianas e israelenses voltaram a ser alvo de mísseis, países do Golfo, o Líbano e o Chipre registraram ações militares relacionadas à escalada.
Bombardeios e novos focos de conflito
Durante a madrugada, o Hezbollah lançou ataques contra o norte de Israel, afirmando agir em retaliação à morte do aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo no sábado. O Exército israelense respondeu com bombardeios contra posições do grupo no sul do Líbano e nos arredores de Beirute. Segundo o governo libanês, ao menos 31 pessoas morreram e 149 ficaram feridas.
No território iraniano, novas explosões foram ouvidas em Teerã após ataques israelenses contra a capital. De acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, ao menos 555 pessoas morreram no país desde o início da ofensiva conjunta de EUA e Israel, que já atingiu mais de 130 cidades. Em Israel, 11 pessoas foram mortas em ataques iranianos.
O governo iraniano afirmou ter lançado mísseis contra Haifa, Tel-Aviv e Jerusalém, onde está localizado o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Drones no Golfo e tensão regional
A escalada também atingiu o Golfo Pérsico. Drones iranianos atacaram petroleiros e alvos nas águas territoriais de Omã, além de instalações industriais no Catar. Houve registros de ataques na Arábia Saudita, enquanto os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter interceptado um ataque aéreo.
No Catar, a estatal QatarEnergy anunciou a suspensão da produção de gás natural liquefeito (GNL) após ataques às cidades industriais de Ras Laffan e Mesaieed. A paralisação retira temporariamente do mercado uma das principais fornecedoras globais de gás, aumentando o risco de impacto nos preços internacionais de energia.
O governo britânico informou ter impedido um ataque com drones contra sua base aérea no Chipre, utilizada para apoiar o sistema de defesa antiaérea israelense. As autoridades cipriotas também confirmaram a interceptação de dois drones que se dirigiam à instalação militar.
Incidente com caças americanos e baixas militares
Em meio à intensificação das operações, militares americanos afirmaram que o Kuwait “abateu por engano” três caças F-15E Strike Eagle dos EUA durante uma missão de combate. O Comando Central dos Estados Unidos também confirmou a morte de um quarto militar americano, ferido na fase inicial da ofensiva. Outros três soldados já haviam morrido desde o início da campanha.
O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, afirmou que a operação está apenas no início e indicou que mais forças americanas continuam a chegar ao Oriente Médio, sugerindo uma campanha prolongada.
Disputa pelo poder no Irã
Com a morte de Ali Khamenei, o Irã vive um momento de transição política. O clérigo Alireza Arafi, integrante do conselho de liderança provisório, declarou esperar que um novo líder supremo seja nomeado “rapidamente”. A escolha caberá à Assembleia de Peritos, composta por 88 membros.
O conselho provisório inclui ainda o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. Segundo Arafi, as instituições estatais seguem funcionando “sob circunstâncias extremamente difíceis”.
No domingo, o assessor de segurança nacional iraniano Ali Larijani afirmou que um comitê interino administraria o país até a definição do novo líder.
Trump fala em guerra de até cinco semanas
Em entrevista ao The New York Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington e Tel-Aviv podem manter os ataques ao Irã por “quatro a cinco semanas”, se necessário.
“Não será difícil. Temos quantidades enormes de munição”, afirmou. Trump disse ainda ter “três ótimas opções” para liderar o Irã, sem detalhá-las, e apresentou visões variadas sobre como poderia ocorrer a transição de poder em Teerã.
O presidente americano também criticou o primeiro-ministro britânico Keir Starmer pelo atraso na autorização para o uso da base de Diego Garcia, no Oceano Índico, para operações contra posições iranianas.
Risco de conflito prolongado
Com múltiplas frentes abertas do Líbano ao Golfo, passando por Israel, Irã e bases militares na Europa, analistas apontam para o risco de um conflito regional prolongado, com impacto direto nos mercados de energia e na estabilidade política do Oriente Médio.
A continuidade dos ataques e a chegada de reforços militares americanos indicam que a guerra pode estar apenas começando, enquanto a sucessão no Irã adiciona um elemento de incerteza à já explosiva equação regional.
