ONU alerta para risco de 'limpeza étnica' e exige suspensão de assentamentos na Cisjordânia
Publicado em 17/03/2026 por Rádio Nova FM
Relatório do Alto Comissariado aponta deslocamento sem precedentes de 36 mil palestinos e denuncia política de transferência forçada coordenada por Israel.
Em um apelo urgente feito nesta terça-feira (17), as Nações Unidas instaram o governo de Israel a interromper imediatamente a expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada. O pedido fundamenta-se em um relatório alarmante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), que documenta o deslocamento forçado de mais de 36.000 palestinos em apenas um ano, levantando temores concretos de uma estratégia de "limpeza étnica".
Expulsão em massa sem precedentes
Segundo o documento, que analisa o período entre novembro de 2024 e outubro de 2025, a magnitude das expulsões na Cisjordânia não tem paralelo histórico recente. O ACNUDH destaca que o fenômeno ocorre em paralelo ao que se observa na Faixa de Gaza, sugerindo uma "política israelense concertada de transferência forçada em massa".
"Os deslocamentos parecem indicar uma política concertada... o que gera preocupações sobre uma limpeza étnica", afirma o relatório.
O órgão já havia manifestado esse temor em fevereiro, citando a destruição metódica de bairros, a negação de ajuda humanitária e a intensificação de ataques como evidências de um plano de remoção populacional.
Números da Colonização
O avanço dos assentamentos — considerados ilegais pelo direito internacional — acelerou drasticamente no último ano. O relatório registra a aprovação de:
36.973 unidades habitacionais em Jerusalém Oriental ocupada.
27.200 unidades habitacionais no restante da Cisjordânia.
Atualmente, mais de 500 mil israelenses residem em assentamentos na Cisjordânia (excluindo Jerusalém Oriental), vivendo entre cerca de três milhões de palestinos.
Violência e Impunidade
A violência no território, que já estava em ascensão desde o início do conflito em Gaza em outubro de 2023, não arrefeceu mesmo após o cessar-fogo em vigor no enclave vizinho desde o final do ano passado.
O ACNUDH contabilizou 1.732 incidentes de violência cometidos por colonos no período analisado, um aumento significativo em relação aos 1.400 episódios do período anterior. O relatório é incisivo ao afirmar que esses ataques ocorrem de maneira "coordenada e estratégica", contando frequentemente com a omissão ou apoio das autoridades israelenses.
| Período | Incidentes de Violência (Colonos) |
| Nov/2023 – Out/2024 | 1.400 |
| Nov/2024 – Out/2025 | 1.732 |
Crimes de Guerra
O chefe do ACNUDH, Volker Türk, foi enfático ao classificar a transferência ilegal de populações como um crime de guerra, alertando que, dependendo das circunstâncias, tais atos podem ser caracterizados como crimes contra a humanidade.
Türk exigiu que Israel:
Cesse a criação e expansão de assentamentos.
Retire todos os colonos e encerre a ocupação.
Permita o retorno imediato dos palestinos deslocados.
Interrompa o confisco de terras e a demolição de residências.
O alerta final do relatório foca nas comunidades beduínas ao nordeste de Jerusalém Oriental, que enfrentam risco iminente de desaparecimento devido ao avanço acelerado dos projetos de colonização na região.
