Pentágono nega ameaças ao Vaticano após críticas do Papa Leão XIV sobre intervenção no Irã

Publicado em 10/04/2026 por Rádio Nova FM

Brasil e Mundo

Fonte: Foto Vaticano/Igreja Catolica

O Pentágono negou oficialmente, que autoridades dos Estados Unidos tenham intimidado ou feito uma "lição amarga" ao enviado da Santa Sé em Washington. A polêmica surgiu após relatos de que o governo americano teria reagido de forma agressiva às críticas do Papa Leo XIV contra a intervenção militar dos EUA no Irã.

O embate diplomático foi inicialmente reportado pelo jornal The Free Press. Segundo a publicação, um encontro ocorrido em janeiro entre o subsecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, e o Cardeal Christoph Pierre teria sido marcado por tensões. A reportagem afirmou que Colby sugeriu que a Igreja "deveria tomar partido" e mencionou o "Papado de Avinhão" uma referência histórica ao período do século XIV em que os papas foram forçados a residir na França sob influência externa como uma metáfora de domínio pela força.


Versões Conflitantes e Negativa Oficial

Tanto o Pentágono quanto o Vaticano agiram rapidamente para desmentir o tom hostil da reunião. A Embaixada dos EUA junto à Santa Sé descreveu o encontro como cordial, franco e respeitoso.

  • O Pentágono: Afirmou que a conversa foi equilibrada e focada em temas de ética na política externa e estratégias regionais, sem qualquer discurso de intimidação.

  • O Cardeal Pierre: Já aposentado, o cardeal declarou que o relato da imprensa não reflete a realidade do que ocorreu.

  • Brian Burch (Embaixador dos EUA): Reforçou que a narrativa de pressão para alinhamento com a administração Trump é infundada.

Até o momento, não foram apresentados registros oficiais de retaliação ou pressões econômicas contra o Estado do Vaticano.


O Peso das Críticas de Leo XIV

O mal-estar diplomático é alimentado pelo posicionamento incisivo do Papa Leo XIV. O pontífice tem classificado as ações americanas no Irã, iniciadas em 28 de fevereiro, como "ilegais e imorais".

Em suas mensagens mais recentes, incluindo a tradicional saudação Urbi et Orbi e a mensagem de Páscoa, o Papa enfatizou:

  1. A urgência do diálogo: Pediu que os detentores do poder escolham a paz.

  2. O desarmamento: Apelou para que as armas sejam deixadas de lado em favor do respeito entre os povos.

  3. A crise humanitária: Criticou a indiferença perante as perdas humanas e as consequências sociais dos conflitos.


Distanciamento Diplomático e Simbolismo

A tensão entre Roma e Washington já produz efeitos práticos na agenda global. Em fevereiro, o Vaticano confirmou que o Papa não visitará os Estados Unidos em 2026, citando diretamente as divergências na política externa.

Em um gesto carregado de simbolismo, Leo XIV anunciou que visitará a ilha de Lampedusa — marco da crise migratória europeia — no dia 4 de julho, data da independência americana. A escolha da data é vista por analistas como um lembrete silencioso às políticas migratórias da administração Trump, que o Papa já classificou como carentes de "compaixão e responsabilidade humanitária".

"Não me recordo do Cardeal Pierre, mas tenho a intenção de conversar com ele para esclarecer os fatos", afirmou o vice-presidente JD Vance durante viagem à Hungria, tentando reduzir a temperatura do debate, embora sem detalhar o conteúdo das discussões de defesa.