EUA determinam expulsão de delegado da PF que atuou na captura de Ramagem
Publicado em 22/04/2026 por Rádio Nova FM
O delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, recentemente expulso dos Estados Unidos sob a acusação de tentar manipular o sistema migratório americano, possui um histórico controverso que antecede sua carreira diplomática. Antes de coordenar a cooperação internacional em Miami, Ivo foi réu por homicídio culposo após um acidente fatal no interior de São Paulo.
Atropelamento e Embriaguez
O caso ocorreu em outubro de 2016, na Rodovia Raposo Tavares. Marcelo Ivo dirigia uma Mercedes-Benz quando atingiu a traseira da moto de Francisco Lopes da Silva Neto, um vigilante de 38 anos. A vítima faleceu no local.
De acordo com os registros da época, o teste do bafômetro atestou que o delegado estava embriagado. Embora tenha tentado paralisar o processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2019, o pedido foi negado. Sua absolvição só ocorreu em 2020, na Justiça estadual, condicionada ao ressarcimento financeiro total à viúva e às duas filhas da vítima.
De Investigador de Elite a Alvo do Departamento de Estado
A trajetória de Ivo na PF é marcada por operações de peso, mas culminou em um choque direto com as autoridades de segurança nacional dos EUA:
Combate ao Crime Organizado: Entre 2018 e 2021, foi peça-chave na Operação Tritão, desarticulando esquemas de corrupção no Porto de Santos.
O "Homem da PF" em Miami: Designado em 2023 para atuar dentro do Immigration and Customs Enforcement (ICE), ele era o elo oficial entre o Brasil e o setor de imigração americano.
O Incidente Ramagem: A crise estourou após a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (foragido da justiça brasileira) na Flórida. Os EUA acusam Ivo de tentar "atropelar" os trâmites legais de extradição, usando a agência migratória para fins políticos.
Tensão entre Planalto e Washington
A expulsão compulsória de Marcelo Ivo gerou um mal-estar que chegou à presidência da República. Enquanto a Embaixada dos EUA emitiu uma nota contundente afirmando que "nenhum estrangeiro pode contornar pedidos formais de extradição", o presidente Lula reagiu com cautela combativa:
"Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil", declarou o mandatário nesta terça-feira (21/4).
A Polícia Federal, por meio de seu diretor-geral Andrei Rodrigues, sustenta que ainda aguarda uma explicação formal e detalhada do governo americano para a saída forçada do delegado, que agora retorna ao Brasil com um currículo de missões importantes, mas sob a sombra de um incidente diplomático sem precedentes e um passado trágico nas rodovias paulistas.
