Rússia amplia restrições à exportação de fertilizantes e cenário global acende alerta para crise alimentar

Publicado em 22/04/2026 por Rádio Nova FM

Brasil e Mundo

Fonte: Radio Nova FM 87,9

O governo da Rússia anunciou a extensão das cotas de exportação de fertilizantes até dezembro, autorizando o envio de até 20 milhões de toneladas entre 1º de junho e 30 de novembro. A medida ocorre em um momento de forte tensão no mercado global, marcado por escassez de insumos e impactos logísticos causados pela guerra no Irã e pelas interrupções no Estreito de Ormuz.

O bloqueio da importante rota marítima já reduziu cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes, pressionando preços e aumentando os temores de uma possível crise alimentar em escala global. Diante desse cenário, grandes produtores, como a China, também passaram a restringir suas exportações, enquanto países importadores enfrentam dificuldades para garantir o abastecimento e recorrem a alternativas mais caras no mercado internacional.

A Rússia, segundo maior produtor global de fertilizantes e responsável por aproximadamente 20% das exportações mundiais, tem priorizado o mercado interno. A atual cota em vigor, válida até o fim de maio, permite a exportação de 18,7 milhões de toneladas e já contribui para manter preços mais baixos para agricultores russos.

Com a ampliação anunciada, o novo volume será distribuído entre diferentes categorias: 8,7 milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados, 4,2 milhões de toneladas de nitrato de amônio e 7 milhões de toneladas de fertilizantes complexos. A estratégia busca equilibrar o atendimento à demanda externa sem comprometer a segurança alimentar doméstica.

As restrições, no entanto, não se aplicam a remessas destinadas a regiões separatistas da Geórgia, como Abkhazia e Ossétia do Sul, nem a operações de trânsito internacional e ajuda humanitária. Essas exceções mantêm fluxos específicos mesmo diante do cenário restritivo.

No mercado internacional, os preços dos fertilizantes nitrogenados já se aproximam do dobro dos níveis registrados antes do conflito no Irã. Caso o bloqueio no Estreito de Ormuz persista, a tendência é de manutenção da pressão inflacionária sobre os insumos agrícolas, o que pode impactar diretamente o planejamento de safras, o custo de produção e, consequentemente, os preços dos alimentos em diversas regiões do mundo.

Especialistas alertam que a combinação de restrições comerciais, conflitos geopolíticos e gargalos logísticos pode aprofundar a instabilidade no setor agrícola global, exigindo respostas coordenadas para evitar efeitos mais severos sobre a segurança alimentar.