Derrota Histórica: Senado Rejeita Jorge Messias para o STF e Impõe Revés Inédito ao Governo Lula
Publicado em 30/04/2026 por Rádio Nova FM
Em um desfecho inesperado e que aprofunda a crise política do Palácio do Planalto, o plenário do Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29/04), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O resultado representa uma derrota política de proporções históricas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrendo em um momento de baixa aprovação popular e fragilidade nas articulações junto ao Congresso Nacional.
Números da Votação e o Fim de um Tabu de 132 Anos
A rejeição ao nome de Messias foi selada por 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis (com uma abstenção). Para ser aprovado, o indicado precisava de maioria absoluta, ou seja, ao menos 41 votos.
O fato é considerado raríssimo na história republicana do Brasil. Até abril de 2026, a última vez que o Senado havia rejeitado uma indicação presidencial ao STF foi há 132 anos, em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto. Naquela ocasião, cinco nomes foram barrados de uma só vez. Desde então, as indicações presidenciais eram vistas como protocolares no plenário, o que torna o revés de Lula ainda mais contundente.
Reação da Bancada Evangélica e Católicos: "Vitória do Brasil"
A liderança evangélica e católicos no Congresso, que vinha sendo monitorada de perto pelo governo, reagiu com entusiasmo à derrota de Messias. Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, classificou o resultado como uma "vitória do Brasil" e descreveu um "clima de festa" no Senado.
Damares Alves (Republicanos-DF), vice-presidente da bancada, pontuou que o resultado foi um recado institucional, afirmando que a rejeição "não diz respeito ao candidato, mas aos Poderes", sinalizando a insatisfação do Legislativo com o Executivo. Por outro lado, parlamentares evangélicos que apoiavam Messias, como a senadora Eliziane Gama (PT-MA), mantiveram silêncio logo após o anúncio.
A Exceção: O Apoio de André Mendonça
Curiosamente, uma das poucas vozes de defesa entre os evangélicos veio de dentro do próprio STF. O ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, lamentou a decisão:
"O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro. Messias é um homem de caráter e íntegro. Amigo verdadeiro está presente nos momentos difíceis", escreveu Mendonça em suas redes sociais.
O Impacto para o Governo Lula
Esta foi a terceira indicação de Lula neste mandato após as aprovações de Cristiano Zanin e Flávio Dino. A queda de Messias no plenário, após ele ter passado pela CCJ (onde foi aprovado por 16 a 11), expõe a incapacidade do governo de segurar sua base aliada no voto secreto.
Especialistas apontam que a rejeição tende a aumentar o desgaste da imagem de Lula, cuja aprovação já vinha em trajetória descendente. Com a eleição presidencial de outubro no horizonte, o governo perde capital político e agora é obrigado a buscar um novo nome para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, sob o risco de enfrentar nova resistência dos senadores.
Próximos Passos
Após o resultado, Jorge Messias manteve o tom republicano, afirmando que "faz parte saber ganhar e saber perder" e que continuará seu trabalho na AGU. Agora, a mensagem de indicação será arquivada e o presidente Lula precisará submeter um novo nome à sabatina e posterior votação do Senado, em um cenário de total incerteza e hostilidade política.
