Feminicídio em Guarantã do Norte: Vítima havia revogado medida protetiva contra companheiro meses antes de ser assassinada
Publicado em 24/06/2026 por Rádio Nova FM
Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, foi executada a tiros em Guarantã do Norte; denúncias contra o suspeito se arrastavam desde 2023 e incluíam posse de arma e lesão corporal.
A trágica morte de Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, assassinada a tiros na última terça-feira (23/06) em Guarantã do Norte, expõe uma realidade alarmante enfrentada por muitas mulheres: a dificuldade de romper em definitivo com o ciclo de abusos antes que ele atinja o seu ápice mais violento o feminicídio. O principal suspeito é o companheiro da vítima, de 33 anos, que já acumulava uma extensa ficha de agressões contra ela.
A investigação, conduzida pela Polícia Civil como feminicídio consumado, reconstrói um rastro de violência que se estendia por pelo menos três anos.
A Cronologia do Abuso
| Ano | Evolução das Ocorrências | Impacto Jurídico |
| 2023 | Primeiras denúncias de violência doméstica registradas por Gleici. | Início dos registros policiais. |
| 2024 | Escalada dos crimes: lesão corporal, injúria e posse irregular de arma de fogo. | Novas intervenções da polícia no ambiente familiar. |
| Julho de 2025 | Agressão física grave leva à prisão em flagrante do suspeito. | Justiça concede Medidas Protetivas de Urgência. |
| Meses depois | Gleici solicita a revogação das medidas protetivas. | O suspeito ganha a liberdade. |
| Junho de 2026 | Vítima é morta a tiros em Guarantã do Norte. | Investigação de feminicídio em andamento; suspeito foragido. |
A Complexidade por Trás do Pedido de Liberdade
O ponto de virada na história de Gleici e que infelizmente selou seu destino ocorreu quando ela decidiu retirar a barreira jurídica que a afastava do agressor. Para quem observa de fora, a decisão de revogar uma medida protetiva pode parecer incompreensível, mas especialistas apontam que o cenário psicológico e social dessas vítimas é extremamente complexo.
Mariell Antonini, chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, explica que o processo de separação é repleto de barreiras invisíveis.
"Existem obstáculos relacionados à dependência afetiva, dependência econômica, medo, preconceito e outros fatores que dificultam a tomada de decisão", afirma Mariell, reforçando que o sistema de Justiça e a rede de apoio precisam ser vistos como aliados permanentes, e não temporários.
O Alerta Invisível
A violência doméstica raramente começa com um ato extremo. Ela se alimenta de uma engrenagem conhecida como "ciclo da violência", que alterna momentos de tensão, explosão (agressão) e a chamada "lua de mel" (fase em que o agressor pede perdão e promete mudar).
De acordo com a coordenação do Gabinete de Enfrentamento, essa aparente calmaria é o maior perigo:
“A violência é cíclica e, muitas vezes, começa com sinais que podem parecer menos graves, mas pode evoluir para situações cada vez mais letais, culminando na morte da vítima. Ameaças e agressões precisam ser compreendidas como sinais de alerta.”
O caso de Gleici agora entra para as estatísticas de feminicídio no estado, enquanto as forças de segurança da região do Nortão concentram esforços para localizar e prender o suspeito. Fica o apelo das autoridades para que denúncias sejam mantidas e que nenhuma agressão, por menor que pareça, seja tolerada ou perdoada sem o devido acompanhamento legal.
