Pivetta detona avanço das bets e classificou o setor como um dos principais vilões do endividamento recorde da população brasileira

Publicado em 08/05/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Fonte: Foto da Internet


O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), subiu o tom contra a proliferação das plataformas de apostas online, popularmente conhecidas como "bets". Em declaração recente, o gestor classificou o setor como uma “desgraça” e apontou o segmento como um dos principais vilões do endividamento recorde da população brasileira.

O cenário da inadimplência em números

A crítica de Pivetta ocorre em um momento de fragilidade econômica para milhões de brasileiros. Dados do Serasa de março apontam um recorde histórico: 82,8 milhões de pessoas negativadas no país. O cenário em Mato Grosso é ainda mais alarmante, com 53,36% da população com o "nome sujo", ocupando o oitavo lugar no ranking proporcional de inadimplência nacional.

“Pesquisas recentes mostram a desgraça que é essa jogatina. Então nós precisamos, no Brasil, rever essa questão do endividamento”, afirmou o governador.


Impacto sistêmico na economia

Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) corrobora as preocupações do governo estadual. Segundo a entidade, as apostas online representam um "risco sistêmico", com impactos que vão além das finanças pessoais:

  • Inadimplência Severa: Cerca de 270 mil famílias atingiram o estágio onde não possuem qualquer capacidade de quitar suas dívidas devido ao jogo.

  • Fuga de Capital: Estima-se que R$ 143 bilhões deixaram de circular no comércio e consumo tradicional entre os períodos natalinos de 2024 e 2025.

  • Gasto Mensal: O setor de apostas consome, mensalmente, cerca de R$ 30 bilhões dos brasileiros.

O "Efeito Dominó" nos Juros

Pivetta destacou que o problema não se limita à perda individual de patrimônio, mas afeta o custo do dinheiro para quem produz. Para o governador, o aumento da inadimplência gera um efeito cascata que encarece o crédito.

“Todo e qualquer pequeno empreendedor que vá tomar empréstimo para fazer empreendimento ou para qualquer bem durável de consumo paga 30% ao ano de juros. Então isso aí é algo que nós precisamos corrigir”, completou.

Com a taxa de juros elevada em resposta ao risco de crédito, o crescimento econômico é freado, dificultando a vida de quem busca investir no setor produtivo em vez de apostar em plataformas de azar.