Investigador que matou PM em Cuiabá é condenado a dois anos de prisão em regime aberto
Publicado em 15/05/2026 por Rádio Nova FM
Após três dias de julgamento, Tribunal do Júri desclassificou o crime para homicídio culposo; Ministério Público já confirmou que vai recorrer da decisão
Após três dias de um julgamento intenso no Tribunal do Júri da Capital, o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves foi condenado a dois anos de detenção, em regime aberto, pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz. O crime ocorreu em abril de 2023, durante uma confusão em uma conveniência na Praça do Choppão, em Cuiabá. A sentença foi proferida na noite de quinta-feira (14/05).
Com o veredito, a Justiça também determinou a retirada imediata da tornozeleira eletrônica que o investigador vinha utilizando.
Jurados desclassificam homicídio doloso
Durante a leitura da sentença, o juiz Marcos Faleiros da Silva explicou que o Conselho de Sentença reconheceu que Mário Wilson foi o autor dos disparos que tiraram a vida do PM. No entanto, os jurados desconsideraram a tese de homicídio doloso (quando há intenção de matar) apresentada pela acusação, desclassificando o crime para homicídio culposo (quando não há intenção).
De acordo com a decisão do júri, o réu agiu de forma negligente ao iniciar a discussão com o policial militar, agravada pelo fato de ter consumido bebida alcoólica antes do confronto que culminou na tragédia.
Teses de defesa e depoimentos
No interrogatório perante o júri popular, Mário Wilson alegou ter agido em legítima defesa. Segundo o investigador, ele atirou contra Thiago porque "não teria outra alternativa" em meio à luta corporal travada dentro do estabelecimento. A banca de defesa, liderada pelos advogados Cláudio Dalledone e Renan Canto, sustentou que o cliente se sentiu ameaçado durante a disputa envolvendo a arma da vítima.
Ao longo dos três dias de julgamento, o plenário ouviu diversas autoridades e testemunhas. Entre os depoimentos arrolados pela defesa estiveram os delegados:
José Ricardo Garcia Bruno
Guilherme Bertoldi
André Monteiro
Guilherme Facinelli
Também foram ouvidos o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), André Eduardo Ribeiro, a ex-companheira da vítima, Walkíria Filipaldi Corrêa, além de pessoas que presenciaram a briga na conveniência.
Próximos passos judiciais
O desfecho do caso promete novos capítulos. Logo após o anúncio da sentença, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins confirmou que o Ministério Público irá recorrer da decisão, buscando a reforma da pena. Por outro lado, a defesa do investigador informou que ainda vai analisar o teor completo da decisão para avaliar se também apresentará recurso.
