Disputa por terra com o Pará afeta milhares de famílias na fronteira, alerta o Governador Otaviano Pivetta

Publicado em 28/05/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Governador de Mato Grosso cobra sensibilidade do STF e defende que decisão sobre área do tamanho de Sergipe deve priorizar o atendimento humano, não apenas mapas.

Fonte: Foto da Internet


 A disputa territorial de 22 mil quilômetros quadrados na divisa entre Mato Grosso e Pará ganhou um forte apelo social. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) subiu o tom e cobrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) busque uma saída pacífica e negociada para o impasse. Segundo o chefe do Executivo, o foco do julgamento não pode ser apenas geográfico, pois envolve a sobrevivência de milhares de famílias.

Pivetta revelou que as comunidades paraenses que vivem na região de fronteira enfrentam um verdadeiro vácuo de assistência do próprio estado e só conseguem ter uma qualidade mínima de vida porque recorrem às cidades mato-grossenses.

"Essa população depende de Mato Grosso para ter o mínimo", desabafou o governador.

O Impacto no Cotidiano da Fronteira

Na prática, a infraestrutura de Mato Grosso acaba funcionando como um "escudo social" para os moradores do sul do Pará. Historicamente, são as prefeituras e o governo mato-grossense que absorvem a demanda dessa população em áreas críticas:

  • Socorro na Saúde: Pacientes paraenses superlotam hospitais e postos de saúde de Mato Grosso.

  • Aulas na Rede Vizinha: Crianças do estado vizinho estudam e dependem de ônibus escolares mato-grossenses.

  • Ordem e Cidadania: A polícia de Mato Grosso atua na região, e os moradores usam as estradas e os cartórios do estado para registrar documentos básicos.

Entenda o Erro Técnico

O imbróglio jurídico começou a esquentar em maio de 2023, quando Mato Grosso acionou o STF para tentar corrigir o que chama de "erro de cartório".

No julgamento original do caso (a Ação Cível Originária nº 714), o tribunal se baseou em uma localização geográfica errada, confundindo a posição do Salto das Sete Quedas com a do Salto Augusto. Esse equívoco técnico fez Mato Grosso perder uma área de 22 mil km²  um território equivalente à extensão de todo o estado de Sergipe.

Agora, a expectativa do Palácio Paiaguás é que, na próxima audiência de conciliação, os ministros do STF olhem para a realidade prática dessas famílias. O governo de Mato Grosso quer costurar um acordo amigável com o Pará para garantir que a burocracia dos mapas não interrompa o atendimento de quem mais precisa.