Bastidores de MT: O relógio corre para as convenções e partidos vivem "guerra fria" por alianças

Publicado em 17/07/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Fonte: Foto Por Reprodução

Com a proximidade do prazo legal para a homologação de chapas, Mato Grosso entra oficialmente no modo eleitoral. No entanto, o que se vê nos bastidores não é apenas uma corrida burocrática, mas um verdadeiro jogo de xadrez político onde o tempo é o principal adversário. Enquanto algumas siglas usam o calendário como demonstração de força, outras arrastam as decisões até o último minuto para tentar resolver rachas internos e costurar apoios de peso.

O fator "Mendes x Pivetta" e a divisão no União Brasil

O União Brasil protagoniza a maior incógnita deste início de temporada. O partido está cindido: de um lado, o senador Jayme Campos tenta viabilizar seu retorno ao comando do Palácio Paiaguás após 36 anos; de outro, há uma forte ala que defende o apoio à reeleição do atual governador, Otaviano Pivetta (Republicanos).

Mesmo que Jayme conquiste a maioria dos votos dos 48 convencionais no dia 30 de julho, seu destino não dependerá apenas do próprio partido. A Federação União Progressista que inclui o Progressistas já sinalizou preferência por Pivetta. Como a palavra final cabe à executiva da federação, a disputa promete capítulos tensos. Alheio à crise majoritária, o governador Mauro Mendes (União) segue como o nome pacificado do grupo para a disputa ao Senado.

A estratégia do fechamento: Republicanos quer megaevento

O uso do calendário como estratégia fica evidente na escolha das datas. O PL abre os trabalhos no dia 22 de julho (uma clara alusão ao número da sigla nas urnas) para consolidar Wellington Fagundes ao Governo e José Medeiros ao Senado.

Na outra ponta, o Republicanos de Otaviano Pivetta escolheu cirurgicamente o dia 5 de agosto, último dia do prazo legal. A meta é clara: colher os frutos de todas as articulações anteriores, recebendo o apoio formal de partidos que realizam convenções dias antes como o PSDB (28 de julho), além de Podemos e MDB (ambos em 4 de agosto) e transformar o evento de encerramento em uma grande demonstração de musculatura política.

Centro-esquerda em compasso de espera por união

Se a direita e o centro já têm seus palcos montados, o campo da centro-esquerda (composto pela Federação Brasil da Esperança, PSD, PSB, PDT e Rede-PSOL) vive um cenário de "guerra fria". O grupo insiste na tese de realizar uma convenção conjunta para demonstrar unidade, mas o plano esbarra em nós difíceis de desatar.

O principal impasse está no PSD. A médica Natasha Slhessarenko, que era tida como nome de consenso para o Governo, agora enfrenta a concorrência interna do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro. Caso Emanuel force a disputa na convenção e vença, terá o desafio hercúleo de reconquistar os outros partidos do bloco, que já haviam fechado questão em torno de Natasha.

Para o Senado, embora a candidatura à reeleição de Carlos Fávaro (PSD) esteja consolidada, a disputa pela segunda vaga expõe outra fratura no bloco: o ex-governador Pedro Taques (PSB) e a professora Patrícia Nogueira (PC do B) travam uma queda de braço que a centro-esquerda espera resolver antes de finalmente carimbar a data do seu encontro oficial.

Resumo das Datas e Cenários

Partido / FederaçãoData da ConvençãoPrincipal Meta / Desafio
PL22 de julhoHomologar Wellington Fagundes (Gov) e José Medeiros (Sen).
PSDB28 de julhoDefinir o apoio formal à reeleição de Otaviano Pivetta.
União Brasil / PP30 de julhoDecidir entre a candidatura de Jayme Campos ou o apoio a Pivetta.
Podemos4 de agostoDefinir apoio ao governo e negociar a vaga de vice-governador.
MDB4 de agostoConfirmar Janaína Riva ao Senado e definir rumo ao Governo.
Republicanos5 de agostoConsolidar Pivetta e criar um grande ato político com aliados.
Bloco de Centro-EsquerdaIndefinidaResolver a disputa Natasha x Emanuel e a segunda vaga ao Senado.