Do Altar ao Cárcere: Como uma Família de Pastores se Tornou o "Leva e Traz" de Facção em Mato Grosso

Publicado em 17/07/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Fonte: Foto Por Reprodução

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso revelou um enredo onde a fé foi utilizada como fachada para o crime organizado. A Operação Fariseus, deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), desmantelou um esquema familiar que usava um projeto missionário evangélico para infiltrar o sistema prisional do Estado.

A peça-central do desdobramento jurídico mais recente é Rhavenna Barcelos de Almeida, de 24 anos. Filha de pastores, ela teve sua prisão preventiva mantida pelo juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo do Juízo das Garantias. Rhavenna mantinha um relacionamento íntimo com uma das lideranças da maior facção criminosa em atividade em Mato Grosso.

O Modus Operandi: A Religião como Passaporte

Os mentores da infiltração, segundo a Draco, eram os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, pais de Rhavenna. O casal foi alvo de mandados de busca e apreensão, mas responde em liberdade.

O trio utilizava a credencial de assistência espiritual para acessar áreas restritas, incluindo o raio de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE).

As Quatro Linhas de Atuação do Grupo:

  • Suporte Operacional: Intermediação de recados urgentes entre lideranças trancadas no sistema e criminosos nas ruas.

  • Logística Prisional: Suspeita de circulação de informações internas das unidades e facilitação de entrada de ilícitos (embora a entrega física de celulares ainda esteja sob apuração técnica).

  • Triangulação Financeira: Uso de contas bancárias de parentes e terceiros para fracionar e lavar dinheiro da facção.

  • Ostentação com o Crime: Financiamento de procedimentos estéticos, compra de veículos e custeio de viagens com o dinheiro proveniente do tráfico e do crime organizado.

Conexão RJ: Ostentação com Fuzis e Crianças Armadas

O que começou com uma denúncia anônima sobre entrega de celulares ganhou proporções nacionais quando a Justiça autorizou a quebra do sigilo telemático dos investigados. Os policiais encontraram um vasto arquivo digital que ligava a família diretamente à cúpula da facção.

O material mais chocante inclui registros de viagens frequentes da família a uma comunidade no Rio de Janeiro controlada por criminosos aliados:

O que o material revelou: Fotos e vídeos dos "missionários" na casa de um criminoso foragido, posando ao lado de pistolas, carabinas, rádios comunicadores e fuzis personalizados com os símbolos da facção. A investigação localizou, inclusive, imagens de crianças portando essas armas de grosso calibre.

Impacto Imediato e Acusações

Além da manutenção da prisão de Rhavenna, o Poder Judiciário determinou o bloqueio das contas e a suspensão imediata do ingresso dos pastores em qualquer unidade prisional de Mato Grosso.

Os investigados agora respondem formalmente por um pesado pacote de crimes:

CrimeFato Gerador na Investigação
Organização CriminosaIntegração estrutural com lideranças da facção
Lavagem de DinheiroOcultação e dissimulação de valores via depósitos fracionados
TorturaIndícios correlatos encontrados nos históricos de conversas
Corrupção de MenorExposição e facilitação do uso de armas por crianças

O caso segue em segredo de Justiça para a análise dos dados bancários e telefônicos apreendidos, o que pode revelar novos braços da facção dentro de instituições religiosas.