Para evitar 'debandada', PL-MT veta punições e aposta em persuasão para segurar prefeitos

Publicado em 22/07/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Com ata da convenção aberta até 05 de agosto, comando regional de Ananias Filho estende a mão a dissidentes para conter o avanço de Otaviano Pivetta e reter lideranças no interior.

Fonte: Foto RepórterMT

Em um momento de forte tensão interna e pressão do grupo governista, o diretório regional do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso decidiu mudar a estratégia. Em vez da "canetada" ou da retaliação, a ordem agora é o diálogo. Durante convenção partidária realizada nesta quarta-feira (22/07), em Cuiabá, o presidente estadual da sigla, Ananias Filho, garantiu que nenhum prefeito do PL será expulso ou retaliado por apoiar a candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás, em detrimento do nome do senador Wellington Fagundes (PL).

A postura apaziguadora funciona como um "escudo" para estancar a perda de capital político do projeto de Fagundes. Apenas no último mês, a pré-candidatura do senador amargou baixas expressivas em bases estratégicas do estado.

A sangria no interior e a investida na Região Metropolitana

O movimento de debandada já atingiu nomes de peso no interior cuiabano e na região sul:

  • Rondonópolis: Cláudio Ferreira (PL) declarou apoio a Pivetta um golpe duro por se tratar do maior colégio eleitoral do interior e berço político de Wellington Fagundes.

  • Primavera do Leste e Campo Novo do Parecis: Os prefeitos Sérgio Machnic (PL) e Edilson Piaia (PL) também oficializaram alinhamento com a base do governador.

Além das perdas consolidadas, o PL corre contra o tempo para blindar seus maiores quadros urbanos. Os prefeitos da Capital e de Várzea Grande, Abílio Brunini (PL) e Flávia Moretti (PL), viraram alvos diretos das investidas e articulações da aliança governista de Pivetta.

"Sem empurrão para fora": a diplomacia de Ananias Filho

Diante do cenário de fritura, Ananias Filho fez questão de frisar que não adotará a tática do confronto direto e descartou convites para desfiliação ou imposições sumárias.

"Nós não fomos para o embate com ninguém porque as alianças não estão 100% definidas. Todos os partidos têm problemas, têm soluções e têm diálogo, é normal. A minha trajetória política é de argumentação. (...) Nós não vamos fazer convite para ninguém sair. Nós vamos pedir para que ele venha", declarou o dirigente partidário.

Ao avaliar o cenário mato-grossense, o líder liberal ressaltou que a indefinição não é exclusiva da sua legenda, citando que forças como o União Brasil e os Democratas também atravessam momento de ajustes e negociações de nomes majoritários.

Jogo aberto até o prazo final

Com a estratégia de "panos quentes" ativada, o PL foca agora na atração de novas siglas para encorpar a chapa de Wellington Fagundes — com negociações ativas com partidos como o Podemos e o Novo.

Para dar margem às costuras políticas e tentar reverter os apoios dos prefeitos rebeldes, a ata da convenção do PL-MT permanecerá aberta até o dia 5 de agosto, data limite estipulada pela Justiça Eleitoral para o encerramento formal das coligações e chapas.