Operação Engodo Digital bloqueia R$ 21,4 milhões e investiga influenciadora de Sorriso

Publicado em 18/08/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Investigação da Polícia Civil apura suposto esquema de divulgação de apostas ilegais, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa; ao todo, 56 medidas judiciais são cumpridas em Mato Grosso e São Paulo

Fonte: Foto Por Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta terça-feira (18/08) a Operação Engodo Digital, ação que investiga um suposto esquema relacionado à promoção de jogos de azar ilegais e plataformas clandestinas de apostas pela internet. Entre os alvos está uma influenciadora digital de Sorriso, que reúne mais de 115 mil seguidores nas redes sociais.

Por determinação judicial, foram bloqueados mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados. A operação também cumpre 56 medidas judiciais, entre elas 14 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, quebra de sigilo telemático, bloqueio de perfis em redes sociais e apreensão de passaportes.

A ofensiva é coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, com ordens expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias – Polo Sinop. As diligências ocorrem em Sorriso, em Mato Grosso, e também nos municípios paulistas de São Paulo e São Bernardo do Campo.

Segundo as investigações, o esquema envolveria 10 pessoas físicas e oito empresas, que teriam sido utilizadas para promover plataformas de apostas sem autorização e movimentar recursos provenientes das atividades investigadas.

Influenciadora aparece entre os principais alvos

De acordo com a Polícia Civil, a influenciadora investigada teria participação na divulgação das plataformas. Ela utilizaria duas contas nas redes sociais para promover sites de jogos de azar considerados irregulares.

Os investigadores também identificaram um grupo no WhatsApp administrado pela influenciadora e por outra pessoa. No espaço, segundo a apuração, eram compartilhados links e informações direcionadas a usuários interessados em apostas de cotas fixas.

Entre 2023 e 2025, mais de R$ 28 milhões teriam circulado sem a correspondente declaração às autoridades fiscais. A Polícia Civil aponta que há indícios de que parte desse montante esteja relacionada à exploração ilegal de jogos pela internet.

A investigação indica ainda que os recursos inicialmente passariam por empresas associadas às plataformas de apostas e, posteriormente, seriam distribuídos para pessoas próximas à influenciadora, incluindo familiares e colaboradores.

Entre as empresas citadas na apuração estão Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.

Empresas também são investigadas

Além da movimentação financeira, a Polícia Civil apura se empresas teriam sido utilizadas para dificultar a identificação da origem dos recursos. Os investigadores também analisam possíveis operações societárias simuladas envolvendo empresas do segmento de beleza.

Outro ponto da investigação é uma possível relação entre dois dos alvos da operação, que possuem endereços em São Paulo, e a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano.

A operação federal investigou movimentações financeiras relacionadas a plataformas clandestinas de apostas e teve entre os alvos pessoas conhecidas nas redes sociais e no meio musical.

Conforme os elementos reunidos na investigação, uma fintech teria desempenhado função central na circulação dos recursos, concentrando valores provenientes de plataformas de apostas ilegais e possibilitando transferências para outros países.

A empresa e seu proprietário também aparecem entre os alvos da Operação Engodo Digital. Em São Paulo, foram determinadas medidas de busca e apreensão, além de bloqueio e apreensão de bens e valores e recolhimento de passaporte.

Ação mobiliza equipes de Mato Grosso e São Paulo

As diligências contam com a participação de equipes das Delegacias Regionais de Nova Mutum e Sinop. Em território paulista, agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) auxiliam no cumprimento das determinações judiciais.

A Polícia Civil destaca que as pessoas e empresas investigadas são, até o momento, alvos de uma investigação e não possuem condenação definitiva pelos crimes apurados. O avanço das diligências deverá esclarecer a origem dos recursos, a participação de cada investigado e a eventual extensão do esquema.