Gestão Emanuel Pinheiro manteve contrato com Banco Master que movimentou R$ 4,1 milhões em consignados de servidores

Publicado em 03/09/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Acordo com a instituição do banqueiro Daniel Vorcaro vigorou de 2020 a 2024, acumulando aditivos e prazos estendidos antes de ser suspenso pela nova administração municipal.

Fonte: Foto Por Reprodução

Um contrato firmado na gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD) colocou a Prefeitura de Cuiabá no centro de operações com o Banco Master, instituição financeira liquidada pelo Banco Central no final do ano passado após a descoberta de fraudes de grandes proporções. Entre setembro de 2023 e julho de 2025, os descontos em folha praticados contra servidores efetivos, aposentados e pensionistas do município ultrapassaram a marca de R$ 4,1 milhões.

A trajetória do contrato e seus aditivos

A parceria entre o Executivo municipal e a instituição teve início em 8 de setembro de 2020, quando o banco ainda operava sob a razão social Banco Máxima S.A. O termo de credenciamento original foi assinado pela então secretária municipal de Gestão, Ozenira Félix Soares de Souza nome que posteriormente esteve associado a investigações sobre desvios de R$ 652 mil por meio de decisões judiciais falsificadas.

Após a alteração da marca para Banco Master em 2021, a gestão municipal deu sequência a uma série de aditivos contratuais. Além de prorrogar a vigência do credenciamento, os termos aditivos expandiram o prazo máximo de amortização dos empréstimos consignados oferecidos aos servidores, subindo de 96 para 120 meses.

Derrocada do banco e desdobramentos políticos

O controlador do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, encontra-se preso desde março deste ano. O caso ganhou nova repercussão nacional após a divulgação de trocas de mensagens entre o empresário e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, travadas pouco antes da decretação da prisão de Vorcaro.

Em Cuiabá, o cenário mudou com a posse do atual prefeito, Abilio Brunini (PL). A nova gestão optou por não renovar o vínculo com o Banco Master e apontou irregularidades na transição de governo. Segundo a administração atual, a gestão anterior deixou um passivo estimado em R$ 50 milhões referente a consignados: valores que teriam sido descontados diretamente dos vencimentos dos servidores, mas que não chegaram a ser repassados às instituições financeiras credenciadas.