Fé de fachada e fuzis: Como o Gaeco desmantelou o clã da pastora que virou Alvo da Polícia

Publicado em 15/09/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Fonte: Foto Por Reprodução

Sob o manto da religiosidade e o disfarce de um projeto de assistência carcerária, uma rede criminosa operava no coração do sistema prisional de Mato Grosso. A Operação Fariseus, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelou a atuação de Orminda Carlos de Barcelos, de 55 anos. Apontada como a matriarca de um clã familiar integrado ao crime, a pastora usava o status e o acesso a presídios para gerenciar um esquema que envolvia tráfico de armas, lavagem de dinheiro e conexões diretas com a cúpula de uma facção criminosa.

O disfarce do projeto "Resgatando Vidas"

Investigações detalhadas apontam que a atuação de Orminda na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, passava longe de pregar a fé. Por trás do projeto social que supostamente resgatava detentos, a pastora construiu uma relação de profunda intimidade com criminosos de alta periculosidade.

Nas entranhas do sistema prisional, a influência da matriarca era tamanha que ela era tratada afetuosamente por detentos como Júlio, Júnior e Escobar. Em cartas interceptadas que ironicamente iniciavam com saudações como "A Paz do Senhor", os presos a chamavam abertamente de "mãe". Longe de pedidos espirituais, os bilhetes continham ordens para que ela guardasse dinheiro em espécie, gerenciasse valores devedores da facção e transportasse itens ilícitos para o interior dos presídios.

Negócios de família: Armas, lavagem de dinheiro e viagens ao Rio

A rotina da família Barcelos era marcada pela simbiose entre o cotidiano doméstico e a criminalidade pesada. Orminda era casada com o pastor Nivaldo de Almeida — cujo processo foi extinto após seu falecimento em setembro e atuava lado a lado com a filha e principal alvo da investigação, Rhavenna Barcelos.

  • Arsenal Oculto: O Gaeco descobriu que o casal guardava armamentos pesados em um sítio da família para comercialização em benefício da facção. Em uma interceptação explícita, Orminda conversa com Rhavenna e dispara: “Vamos lá buscar uma arma pra vender”. Nas redes sociais, a própria pastora chegou a posar ostentando um fuzil.

  • Conexão com o Rio de Janeiro: A intimidade com o crime levou Orminda a cruzar fronteiras estaduais. Registros telemáticos mostraram que ela se hospedou na residência de Jonas Souza Gonçalves Júnior, o "Batman", apontado como liderança de facção e então foragido, em uma comunidade carioca.

  • Finanças Ilícitas: Diálogos de fevereiro de 2026 flagraram mãe e filha discutindo o uso de repasses enviados por chefões do crime para quitar veículos da família.

A culpa e o peso do esquema

Apesar da friezas nas operações logísticas da facção, a teia criminosa gerava momentos de conflito moral interno. Registros anteriores apontam que a matriarca chegou a lamentar o envolvimento familiar, admitindo que o clã fazia o que "Deus não queria". A resposta da filha, no entanto, escancarava a realidade irreversível do grupo: a constatação seca de que formavam uma "família suja".

Com o avanço das investigações do Gaeco e o cerco fechado contra o núcleo familiar, a fachada de santidade ruiu, expondo como a estrutura religiosa foi instrumentalizada para blindar e alimentar o crime organizado em Mato Grosso.

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