Empresária morta com abraçadeira plástica em Cuiabá: Marido vai a júri e pode pegar mais de 60 anos de prisão
Publicado em 20/10/2026 por Rádio Nova FM
Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, responde por feminicídio, ocultação de cadáver e por forjar um sequestro para extorquir a família da vítima.
O Tribunal do Júri de Cuiabá julga nesta terça-feira (20) o acusado Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, pela morte de sua esposa, a empresária Nilza Moura Sousa da Silva, de 64 anos. A sessão ocorre a partir das 13h30 na 14ª Vara Criminal da Capital. O réu responde por feminicídio com qualificadoras, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime, podendo somar uma pena teórica de até 63 anos e 6 meses de reclusão.
Estrangulamento e plano para esconder o corpo
O crime aconteceu no dia 4 de maio deste ano, no bairro Parque Cuiabá. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), assinada pelo promotor Rinaldo Segundo, Jackson estrangulou a esposa com uma abraçadeira plástica (popularmente conhecida como "enforca-gato") enquanto ela dormia, eliminando qualquer possibilidade de defesa da vítima.
Para encobrir o assassinato e lucrar com a situação, o acusado executou uma série de ações calculadas:
Ocultação do cadáver: Transportou o corpo até outro imóvel da vítima no mesmo bairro e o enterrou em uma vala. O buraco havia sido aberto por uma máquina contratada por ele sob o pretexto de construir uma fossa; em seguida, pediu ao operador que cobrisse o local.
Apagamento de rastros: Retirou o HD do sistema de câmeras da residência e o escondeu no forro de uma edícula.
Simulação de sequestro: Utilizou o próprio celular de Nilza para enviar mensagens aos familiares dela fingindo um cativeiro e exigindo R$ 30 mil de resgate.
Movimentação financeira: Transferiu R$ 18 mil do cartão de crédito da empresária para sua conta pessoal usando procurações que tinha para administrar os bens dela.
Contradições e confissão
No dia seguinte ao assassinato, Jackson procurou a Delegacia Especializada de Estelionatos para registrar um falso boletim de ocorrência sobre o suposto desaparecimento da esposa.
Durante os depoimentos, porém, apresentou contradições que levantaram a suspeita dos investigadores. Pressionado, confessou o feminicídio e indicou o local exato onde havia enterrado a vítima. Preso preventivamente desde 6 de maio, ele segue na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. O sigilo dos autos foi retirado em 14 de outubro pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira.
Enquadramento penal e reparação
A acusação enquadrou o réu por feminicídio praticado por asfixia (meio cruel) e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
| Infração / Agravante | Pena Prevista |
| Feminicídio Qualificado | 20 a 40 anos de reclusão |
| Causa de Aumento (Vítima de 64 anos) | Elevação de até metade da pena |
| Ocultação de Cadáver | 1 a 3 anos de reclusão |
| Comunicação Falsa de Crime | 1 a 6 meses de detenção (ou multa) |
Limite Legal: Embora a soma das penas máximas com o agravante por idade chegue a 63 anos e 6 meses, o Código Penal brasileiro estabelece em 40 anos o teto máximo para o cumprimento de penas privativas de liberdade.
O Ministério Público também solicitou que a Justiça fixe uma indenização mínima de 40 salários mínimos (cerca de R$ 64 mil) a título de danos morais e materiais para os familiares de Nilza.
Canais de denúncia e ajuda
Casos de violência contra a mulher não podem passar impunes. Em Mato Grosso, denúncias e pedidos de socorro podem ser feitos de forma anônima e gratuita:
Emergências e Flagrantes: 190 (Polícia Militar)
Central de Atendimento à Mulher: 180
Polícia Civil: 197 / Disque Denúncia: 181https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/
Patrulha Maria da Penha (Cuiabá): (65) 98170-0199
Boletim Online:
delegaciadigital.pjc.mt.gov.br
O atendimento presencial está disponível nas Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher de Cuiabá e Várzea Grande. O combate a esses crimes foi reforçado pela Lei Federal nº 14.994/2024 (Pacote Antifeminicídio), que prevê penas de até 40 anos de prisão para os condenados.
