Angeliquinha é transferida de MS para penitenciária de Cuiabá após captura na Bolívia

Publicado em 21/10/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Apontada como uma das lideranças de facção criminosa no norte de Mato Grosso, investigada acumula condenações superiores a 260 anos e teve inclusão no Regime Disciplinar Diferenciado determinada pela Justiça.

Angeliquinha é transferida de MS para penitenciária de Cuiabá após captura na Bolívia
Fonte: Foto Por Reprodução

A Polícia Civil de Mato Grosso realizou, na terça-feira (20/10), a transferência de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, do sistema prisional de Mato Grosso do Sul para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A movimentação ocorreu após a investigada permanecer custodiada em Corumbá (MS), aguardando o retorno ao estado mato-grossense.

A operação envolveu equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol), além do apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Após o transporte, Angeliquinha foi entregue à administração da unidade prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

A entrada na penitenciária da capital foi autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).

Capturada em território boliviano

Angeliquinha foi localizada em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação conjunta entre a Polícia Civil de Mato Grosso e as autoridades bolivianas. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.

Dois dias após a captura, em 24 de setembro, a investigada foi entregue à Polícia Federal brasileira e encaminhada ao estabelecimento penal feminino de Corumbá. Ela permaneceu na unidade sul-mato-grossense até a conclusão dos procedimentos necessários para sua transferência.

De acordo com as investigações, Angeliquinha é apontada como uma das lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e municípios da região. Ela é investigada por suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e coordenação de atividades criminosas.

A investigada possui condenações que, somadas, ultrapassam 260 anos de reclusão, além de mandados de prisão relacionados a diferentes processos e investigações.

Justiça determina Regime Disciplinar Diferenciado

A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), inicialmente pelo período de 180 dias. A medida poderá ser prorrogada, desde que haja nova decisão judicial fundamentada.

A determinação ocorreu após representação apresentada pela Polícia Civil no contexto das investigações da Operação Showdown. Conforme os elementos considerados pela Justiça, existem suspeitas de que a investigada teria mantido funções de liderança na organização criminosa mesmo enquanto permanecia foragida fora do Brasil.

O RDD estabelece condições especiais de custódia e restrições previstas na legislação, levando em consideração os fundamentos apresentados no processo e as necessidades de segurança do sistema penitenciário.

Operação apurou movimentações acima de R$ 20 milhões

Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown, com o objetivo de desarticular um núcleo familiar suspeito de dar suporte às atividades criminosas atribuídas à investigada e auxiliar na lavagem de dinheiro.

Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, entre mandados de prisão e busca e apreensão, sequestros de veículos e imóveis, bloqueios de contas bancárias e suspensões de pessoas jurídicas.

Durante as apurações, os investigadores identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses. Segundo a Polícia Civil, os valores seriam incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.

A investigação aponta que empresas e outros negócios teriam sido utilizados para conferir aparência legal a recursos supostamente provenientes de atividades criminosas.

Com a transferência para Cuiabá, Angeliquinha retorna ao sistema penitenciário de Mato Grosso, onde continuará sob custódia e à disposição do Poder Judiciário.