Deflagrada 2ª fase da Operação Mãos à Obra: R$ 80 milhões em bens bloqueados e 5 presos em Sinop
Publicado em 29/10/2026 por Rádio Nova FM
A segunda etapa da Operação Mãos à Obra, deflagrada na manhã desta quarta-feira (28/10) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), jogou luz sobre uma suposta rede de corrupção instalada na aprovação de projetos imobiliários em Sinop. A Justiça determinou o bloqueio cautelar de até R$ 80 milhões em bens dos envolvidos, o afastamento de seis servidores de suas funções e o cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva, além de 17 buscas e apreensões.
As investigações apontam que o esquema atuava desde 2017 na cobrança de vantagens indevidas para destravar e acelerar a tramitação de obras e loteamentos junto à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação.
Os Principais Alvos com Mandado de Prisão
A nova fase da operação mirou tanto quadros técnicos da administração pública quanto representantes do mercado imobiliário local:
Engenheiros da Prefeitura: Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia.
Servidores Públicos: Agnaldo Rael da Silva e Valdinei Monteiro da Silva (este último reincidente nas apurações da operação).
Setor Privado: A empresária Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, sócia da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.
Mapeamento dos Alvos de Busca e Apreensão
A decisão judicial autorizou buscas em endereços ligados a engenheiros, arquitetos, empresários e à própria sede da empresa investigada:
Servidores e Fiscais: Antônio Benedito Rodrigues (servidor público) e Samuel de Sousa Vieira (fiscal de obras).
Arquitetura e Urbanismo: Bruna Maia de Freitas e Grazielly Stolarski.
Engenharia e Setor Imobiliário: Charles Correia da Costa (engenheiro civil), Laércio Ronei Schorr (engenheiro e corretor) e Roni de Souza (engenheiro, empresário e agente penitenciário).
Empresários: Danielle da Silva Otaviano Garcia e Felipe Gabriel Russo.
Pessoa Jurídica: Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.
Nota sobre o bloqueio patrimonial: O contingenciamento de R$ 80 milhões determinado pela Justiça tem caráter cautelar e visa assegurar o ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam comprovadas, não significando o valor exato do prejuízo já apurado.
O Histórico da Investigação
A Operação Mãos à Obra teve início em 28 de julho deste ano com a execução de três mandados de busca. Naquela ocasião, as apurações indicavam a exigência de propina por parte de fiscais de obras para liberar processos administrativos.
Entre os alvos da fase inicial estavam Valdinei Monteiro da Silva e o fiscal Lucemar Felix, que acabou preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e munições em sua residência. Em nota divulgada à época, a Prefeitura de Sinop declarou que as suspeitas diziam respeito a condutas individuais e reiterou compromisso em colaborar integralmente com as investigações do Gaeco.
