Mais de 80 filhos perderam as mães para o feminicídio em 2025 em MT, aponta relatório
Publicado em 09/03/2026 por Rádio Nova FM
Dados da Polícia Civil revelam o impacto devastador da violência de gênero em 2025; número de órfãos superou o registro do ano anterior, atingindo crianças e adultos.
O rastro de destruição deixado pelo feminicídio em Mato Grosso vai muito além das 53 mortes confirmadas em 2025. Segundo relatório anual da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC), divulgado nesta semana, 89 pessoas ficaram órfãs no Estado em decorrência desses crimes no último ano.
O número representa um aumento em relação a 2024, quando 87 órfãos foram identificados. Os dados evidenciam que a violência letal contra as mulheres gera impactos profundos e duradouros no núcleo familiar, atingindo diretamente crianças, adolescentes e até filhos já adultos.
Em média, ao longo de 2025, cerca de sete filhos perderam suas mães a cada mês em Mato Grosso por causa de feminicídios. Para especialistas e autoridades, os números revelam uma dimensão muitas vezes invisível dessas tragédias: as vítimas indiretas que permanecem lidando com as consequências da violência.
Junho de barbárie
O levantamento aponta que junho foi o mês mais violento do ano, com 10 casos de feminicídio registrados no estado.
Entre os crimes que marcaram esse período está o assassinato de Vânia Cristina Benini, de 38 anos, morta pelo amante enquanto estava grávida de cinco meses.
Outros casos também causaram forte comoção, como o de Paulina Santana, de 52 anos, esfaqueada pelo ex-marido em Vera; Maria Selma Rocha dos Anjos, de 51 anos, assassinada em Rondonópolis; e Roseni da Silva Karnoski, de 52 anos, morta pelo próprio marido em Nova Mutum após tirar a carteira de habilitação.
Perfil dos crimes
O relatório da Polícia Civil reforça um padrão recorrente nos casos de feminicídio. De acordo com o levantamento, 87% das mulheres assassinadas em 2025 não possuíam Medidas Protetivas de Urgência.
Outro dado alarmante é que 72% dos crimes ocorreram dentro da própria residência da vítima — ambiente onde, em muitos casos, os filhos acabam presenciando ou sendo diretamente afetados pela violência.
Para investigadores, esse cenário reforça a ideia de que o feminicídio costuma ser um “crime anunciado”, precedido por histórico de agressões, ameaças ou controle por parte do agressor.
Ações de prevenção
Atualmente, o Estado mantém iniciativas voltadas ao acolhimento e proteção de mulheres em situação de violência. Uma das medidas é o auxílio-moradia do programa SER Família Mulher, que busca oferecer suporte para que vítimas consigam romper o ciclo de abusos antes que a violência evolua para um desfecho fatal.
Autoridades reforçam que denunciar agressões, buscar medidas protetivas e ampliar a rede de proteção são passos fundamentais para reduzir os casos de feminicídio e evitar que mais famílias sejam marcadas por esse tipo de tragédia.
