Senadores de Mato Grosso assinam pedido de CPI para investigar Moraes e Toffoli no caso Banco Master

Publicado em 10/03/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Fonte: RepórterMT


Os três senadores de Mato Grosso Jayme Campos (União Brasil), Margareth Buzetti (PP) e Wellington Fagundes (PL)  assinaram o requerimento que pede a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado Federal para investigar a atuação dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no chamado caso do Banco Master.

O pedido foi protocolado na segunda-feira (09/03) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que conseguiu reunir 35 assinaturas, número suficiente para solicitar formalmente a abertura da investigação parlamentar.

Agora, o processo depende de um passo essencial: a leitura do requerimento em plenário pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Somente após essa etapa a CPI pode ser oficialmente instalada. Entretanto, nos bastidores do Congresso Nacional, parlamentares avaliam que as chances de avanço da comissão são consideradas baixas, uma vez que Alcolumbre tem ignorado pedidos semelhantes apresentados anteriormente.

Senadores de Mato Grosso apoiam investigação

Entre os apoiadores do pedido estão os três representantes mato-grossenses no Senado. A adesão dos parlamentares reforça o grupo que defende a investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo decisões judiciais relacionadas ao Banco Master.

A iniciativa busca esclarecer eventuais conflitos ou irregularidades envolvendo os ministros do STF, algo considerado por parte dos parlamentares como um tema sensível que exige investigação pelo Poder Legislativo.

O que motivou o pedido de CPI

De acordo com o senador Alessandro Vieira, o caso envolve suspeitas de irregularidades financeiras que acabaram alcançando membros do Judiciário.

Em nota oficial, o parlamentar afirmou que a situação exige esclarecimentos institucionais.

“O caso Master revelou ao país uma complexa teia de irregularidades financeiras, cujos desdobramentos investigativos alcançaram o coração do Poder Judiciário nacional, gerando questionamentos de enorme gravidade sobre a conduta de dois ministros do Supremo Tribunal Federal que merecem — e exigem — a atenção investigativa do Parlamento.”

A proposta de CPI pretende apurar os fatos e identificar eventuais responsabilidades relacionadas ao episódio.

Apoio político e ausência do PT

Entre os 35 senadores que assinaram o pedido, nenhum parlamentar do Partido dos Trabalhadores (PT) aderiu à iniciativa.

O único senador identificado como integrante da base governista a apoiar o requerimento foi Flávio Arns (PSB-PR).

A ausência de assinaturas do PT evidencia o caráter político do debate, que envolve diferentes interpretações sobre o papel do Senado na fiscalização de integrantes do Judiciário.

Próximos passos no Senado

Pelo regimento interno do Senado Federal, uma Comissão Parlamentar de Inquérito pode ser criada quando três requisitos são atendidos:

  • Número mínimo de assinaturas de senadores (27);

  • Fato determinado a ser investigado;

  • Prazo definido para conclusão dos trabalhos.

Com 35 assinaturas, o pedido já cumpre o requisito numérico. No entanto, a CPI só será oficialmente criada após a leitura do requerimento em plenário pelo presidente da Casa.

Caso seja instalada, a comissão terá poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais, podendo convocar testemunhas, requisitar documentos e aprofundar a apuração sobre o caso.

Debate institucional

A possível CPI envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal tem potencial para ampliar o debate sobre os limites institucionais entre os Poderes da República.

Enquanto parte dos senadores argumenta que o Legislativo tem o dever de investigar fatos que envolvam interesse público, críticos da iniciativa afirmam que a comissão poderia aumentar tensões entre Congresso e Judiciário.

Por enquanto, o futuro da CPI depende exclusivamente da decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que deverá decidir se fará ou não a leitura do requerimento em plenário. Caso isso ocorra, o Senado poderá abrir uma das investigações mais sensíveis dos últimos anos envolvendo membros da mais alta Corte do país.