Presidente Lula critica Mauro Mendes pela substituição do VLT pelo BRT em Cuiabá e ironiza a venda de vagões para Bahia com 40% de desconto

Publicado em 17/04/2026 por Rádio Nova FM

Notícias do Estado

Lula ironiza gestão de MT: "Bahia agradece o desconto de 40% nos trens que Mato Grosso não quis usar"

Fonte:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra a gestão pública em Mato Grosso ao comentar o abandono das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá e Várzea Grande. Durante anúncio de medidas para o setor habitacional na última quarta-feira (15), Lula classificou como "irresponsabilidade" a decisão de não concluir o modal, que acabou sendo substituído pelo BRT (Bus Rapid Transit).

O "Trem Encaixotado" que foi parar em Salvador

Lula usou o caso de Mato Grosso como um exemplo emblemático de desperdício de dinheiro público e descontinuidade administrativa. O presidente relatou ter visitado Salvador recentemente, onde inaugurou o sistema de VLT da capital baiana utilizando os vagões que originalmente foram comprados para a Copa de 2014 em solo mato-grossense.

"Aquele VLT foi comprado para ser montado no Mato Grosso. Como era obra do outro governador, o [atual] governador não quis fazer. Ficou encaixotado o trem, até que a Bahia resolveu fazer... Foi lá e comprou com 40% de desconto", afirmou o presidente.

Para o petista, a motivação para a interrupção seria política, alegando que gestores muitas vezes abandonam projetos apenas por não terem sido os autores da ordem de serviço original.


VLT vs. BRT: A Cronologia do Impasse

Embora a crítica de Lula tenha mirado a gestão atual, a "novela" do VLT é longa e complexa, envolvendo três governos diferentes e operações policiais:

  • Dezembro de 2014: As obras são paralisadas ainda na gestão de Silval Barbosa, após gastos bilionários.

  • 2015 - 2018: No governo de Pedro Taques, a obra enfrentou judicialização. Em 2017, após a Operação Descarrilho revelar esquemas de propina, o contrato foi rompido unilateralmente.

  • 2019 - 2020: Mauro Mendes assume com a promessa de resolver o impasse (com 70% das obras concluídas), mas decide, em dezembro de 2020, trocar o modal pelo BRT.

  • 2024: Os vagões são vendidos para a Bahia por R$ 793,7 milhões. Enquanto isso, o BRT em Mato Grosso segue inacabado, com menos de 30% de execução.


O Cenário Nacional de Obras Paradas

O presidente aproveitou o gancho para contextualizar o problema em nível federal. Segundo Lula, ao assumir o terceiro mandato em 2023, o governo federal herdou um passivo crítico de infraestrutura e programas sociais:

  • 87 mil casas do programa Minha Casa, Minha Vida paralisadas.

  • Quase 6 mil obras de escolas e creches interrompidas.

A crítica reflete a tentativa do Planalto de focar na conclusão de projetos antigos como estratégia para retomar o crescimento econômico e reduzir o prejuízo aos cofres públicos. Em Mato Grosso, no entanto, o "prejuízo" já tomou trilhos baianos, deixando a capital Cuiabá ainda à espera de uma solução definitiva para sua mobilidade urbana.