Operação Aposta Perdida: Família é alvo de ação contra lavagem de R$ 10 milhões em MT
Publicado em 23/04/2026 por Rádio Nova FM
Investigações apontam que grupo utilizava o "Jogo do Tigrinho" e influenciadores para atrair vítimas e ocultar patrimônio de luxo; Justiça determinou o bloqueio de bens e contas bancárias.
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23/04), a Operação Aposta Perdida, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa familiar suspeita de movimentar ilicitamente R$ 10 milhões. O grupo é investigado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online, especificamente a plataforma conhecida como "Jogo do Tigrinho".
A Estrutura do Golpe
As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado), revelaram um esquema sofisticado. O grupo utilizava redes sociais para promover plataformas de apostas ilegais, prometendo lucros rápidos e fáceis.
Segundo a polícia, o modelo operava de forma similar a uma pirâmide financeira, onde o sustento do sistema dependia da entrada constante de novos usuários. Para dar credibilidade ao golpe, a esposa e a cunhada do líder do esquema atuavam como influenciadoras digitais, utilizando "contas demonstrativas" que simulavam ganhos irreais para seduzir seguidores.
Ostentação e Luxo
O que acendeu o alerta das autoridades foi o súbito enriquecimento da família. Mesmo sendo proprietários de empresas de pequeno e médio porte, os investigados ostentavam um padrão de vida incompatível com a renda declarada, incluindo:
Veículos Importados: Modelos das marcas Porsche, Land Rover e BMW.
Imóveis de Alto Padrão: Localizados em áreas nobres e na cidade de Itapema (SC).
Viagens e Estilo de Vida: Exibidos frequentemente em redes sociais como prova do suposto sucesso nos jogos.
Medidas Judiciais
Ao todo, foram cumpridos 7 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Itapema. A Justiça determinou uma série de medidas cautelares para interromper o fluxo financeiro do grupo:
Bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias (pessoas físicas e jurídicas).
Sequestro de imóveis e veículos de luxo.
Suspensão de duas atividades econômicas e bloqueio de perfis em redes sociais.
Apreensão de passaportes dos envolvidos.
Lavagem de Dinheiro e "Laranjas"
Para ocultar a origem do dinheiro, o líder do esquema utilizava empresas de fachada e o uso de "laranjas". Relatórios técnicos identificaram transações fracionadas e inconsistências fiscais severas, além de conexões com plataformas internacionais ligadas a fraudes digitais.
A operação segue em curso para analisar o material apreendido e identificar outros possíveis beneficiários do esquema. A prática de jogos de azar online, como o "Tigrinho", permanece ilegal no Brasil e é alvo de crescente fiscalização devido aos danos financeiros causados à população.
