Crise no SAMU-MT: Decisões do Governo motivam vistoria surpresa do Ministério da Saúde
Publicado em 24/04/2026 por Rádio Nova FM
A tentativa do Governo de Mato Grosso de reestruturar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), interpretada nos bastidores como um movimento para "extinguir" o modelo atual do serviço, gerou um forte abalo institucional em Brasília. A repercussão negativa culminou, na tarde desta quinta-feira (23), em uma vistoria surpresa de uma comissão da diretoria nacional do SAMU ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP-MT).
A movimentação do Executivo estadual no mês de março — que incluiu demissões e ameaças de substituição do modelo de atendimento — acendeu o alerta no Ministério da Saúde. Como o serviço é financiado majoritariamente com aportes federais e integra a rede estratégica do Sistema Único de Saúde (SUS), o governo federal viu risco direto à continuidade do atendimento essencial de urgência e emergência no estado.
Pente-fino nas bases e equipes
A inspeção, que durou cerca de três horas e meia, foi minuciosa. A comissão, formada por três técnicos vindos de Brasília e um representante local, realizou um levantamento completo que incluiu:
Infraestrutura: Verificação das condições físicas das bases e dos veículos (ambulâncias).
Recursos Humanos: Entrevistas com servidores e análise do impacto das recentes demissões na escala de atendimento.
Operacionalidade: Avaliação técnica para identificar se o "desmonte" denunciado comprometeu o tempo de resposta à população.
Fontes ligadas à reportagem indicam que a visita foi vista como uma resposta imediata a um suposto "ataque direto ao SUS". O objetivo agora é subsidiar o Ministério da Saúde com dados técnicos para avaliar possíveis irregularidades e cobrar providências formais do Governo de Mato Grosso.
Acompanhamento Sindical
A fiscalização não foi acompanhada apenas por técnicos. Lideranças sindicais, como Carlos Mesquita (SISMA) e Carmen Machado (FESSP-MT), estiveram presentes para reforçar as denúncias de precarização. O temor das entidades é que a desestruturação do SAMU prejudique não apenas os direitos dos servidores, mas a sobrevivência dos pacientes que dependem do socorro pré-hospitalar.
Investimentos e o "Outro Lado"
Em meio à crise no SAMU, o superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso, Helenilson Benedito Pereira Peixoto, cumpre agenda nesta sexta-feira (24) para a assinatura de ordens de serviço do Novo PAC Saúde. Serão destinados R$ 25,2 milhões para a construção de 10 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e um CAPS no estado, reforçando a presença federal na região.
Posicionamento do Estado: Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) afirmou que está acompanhando a vistoria nas unidades da Baixada Cuiabana e assegurou que está fornecendo todas as informações solicitadas para garantir a transparência do processo de reestruturação.
